Palestra para Motoristas

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Arquivo: HighPluss Treinamentos, 2017.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Mobilidade urbana preocupa empresários de transporte coletivo


Seminário da NTU debate soluções para aperfeiçoar o transporte público nas cidades do país.

Foto: Júlio Fernandes/Agência Full TimeMobilidade urbana preocupa empresários de transporte coletivo
A mobilidade urbana deve ser um tema prioritário durante o desenvolvimento de ações e debates sobre transporte público, principalmente nas grandes cidades. Esse foi um consenso entre todas as autoridades – empresários do setor e representantes do governo - presentes à cerimônia de abertura do 26º Seminário Nacional da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), realizada nesta terça-feira (28).

“É importante aproveitar este momento em que o governo investe em infraestrutura no Brasil e aporta recursos que são muito importantes. As ações do transporte público devem ser sustentáveis e capazes de reduzir o tempo das viagens que o brasileiro perde ao ir e vir de casa para o trabalho”, destacou o presidente-executivo da NTU, Otávio Vieira da Cunha Filho.

Para o vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, a mobilidade urbana é o maior desafio dos gestores públicos em todo o país. “É uma tema que atinge a todos nós, mais preocupante que a própria saúde. A soluções voltadas à mobilidade urbana não estão relacionadas apenas a abrir vias e alargar pistas, mas debater com prioridade todos os aspectos do transporte urbano”, afirmou.

Segundo Filippelli, o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) é um instrumento norteador de investimentos em infraestrutura no país.  “Um sistema que organizou os esforços do governo federal e obrigou os estados a abandonarem determinados projetos e se preocuparem com a estrutura do país como um todo, com a intenção de superar os problemas comuns”.

O ministro das Cidades, Aguinaldo Ribeiro, frisou que a mobilidade urbana é um dos temas mais relevantes, essencial para devolver qualidade de vida às pessoas. “Para avançar com os investimentos nas grandes e médias cidades, o governo está convocando as administrações estaduais, municipais, a iniciativa privada e a sociedade civil”, disse.

O presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) e prefeito de Vitória (ES), João Coser, destacou que duas transformações são vitais para melhorar a mobilidade urbana no Brasil. Primeiro, mudanças no próprio sistema de transporte público e, em segundo, uma conscientização dos cidadãos para que não utilizem veículos individuais durante todo o tempo, em detrimento do transporte coletivo.

Com o objetivo de avançar nas discussões, Otávio Cunha, representante da NTU, e o ministro Aguinaldo Ribeiro assinaram um protocolo de intenções para realizar esforços conjuntos no desenvolvimento de um sistema de informações em mobilidade urbana. O acordo prevê a criação de um banco de dados para subsidiar as políticas públicas que serão implantadas pelo Ministério das Cidades.

clesio28082012.jpgMedalha Precursores do Vale-Transporte
A NTU homenageou os responsáveis pela implantação dovale-transporte obrigatório, que acaba de completar 25 anos. Um dos agraciados com a Medalha Precursores do Vale-Transporte foi o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), senador Clésio Andrade. À época, o parlamentar era presidente da NTU e teve participação fundamental na criação do benefício.

O presidente do Conselho Diretor da NTU, Eurico Galhardi, destacou que, depois da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), o vale-transporte obrigatório é a maior conquista do trabalhador brasileiro.

Seminário
As atividades do seminário da NTU prosseguem até esta quarta-feira (29). A programação prevê debates sobre a Nova Lei da Mobilidade Urbana, discussões sobre o tema nas redes sociais, o Sistema de Transporte Rápido por Ônibus (BRT) como solução global para a mobilidade urbana sustentável e a conjuntura econômica, além de debates sobre os cenários do transporte público no Brasil. ​

Rosalvo Streit
Agência CNT de Notícias

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Cometa inaugura CCO e GPS em 140 ônibus


onibus Cometa
Ônibus da Viação Cometa começam a receber equipamentos de GPS para informações em tempo real o que deve aumentar a pontualidade e permitir ações rápidas em casos de emergência. Inicialmente, os equipamentos estão em 140 ônibus que ligam a Baixada Santista ao ABC e Capital e São Paulo a Sorocaba. Foto: Adamo Bazani.


Cometa vai gerenciar frota com GPS e CCO
Sistemas ainda não são comuns em ônibus rodoviários como ocorre com os urbanos. Licitação de linhas rodoviárias vai exigir gerenciamento eletrônico.
ADAMO BAZANI – CBN

A Viação Cometa, empresa que possui cerca de mil ônibus e transporta mensalmente 1,2 milhão de passageiros nas regiões Sudeste e Sul, começa a gerenciar a frota por um CCO – Centro de Controle de Operações e com GPS – Global Position System – instalado nos ônibus.
Inicialmente, em fase experimental, os equipamentos de GPS foram instalados em 140 ônibus que servem ligam a Capital Paulista e Grande São Paulo ao litoral sul (Santos, São Vicente e Praia Grande) e que saem de São Paulo com destino a Sorocaba, no interior do Estado.
Os equipamentos vão fornecer em tempo real para a central de monitoramento informações como localização dos veículos, velocidade e dados operacionais, que inclusive vão facilitar a tomada de ações da empresa em situações que exigem intervenções rápidas, como em acidentes e congestionamentos.
O sistema vai também coletar e enviar informações sobre as linhas o que pode melhorar o planejamento de roteiros e horários de acordo com o tráfego.
Segundo a empresa, além de permitir reduzir custos e aumentar a produtividade, o que vai beneficiar a companhia, o passageiro também sai ganhando por uma prestação de serviços com mais segurança e maios precisão nos cumprimentos de horários.
A escolha pelas linhas de pequena distância, nesta primeira fase, se dá para melhor conferir os resultados práticos da iniciativa, de acordo com o gerente de operações da Viação Cometa, Eduardo Abrahão, em nota destinada à imprensa
“Priorizamos destinos próximos e com mais opções de horários, o que facilita o gerenciamento da frota e a mensuração dos resultados”,
O uso de GPS e de centrais de controle tem se expandido no segmento de ônibus urbanos. Desde capitas até médias cidades oferecem em ônibus municipais formas informatizadas de gerenciamento, mas no setor de veículos rodoviários, a tecnologia ainda não é tão disseminada.
Por enquanto, já que a licitação de linhas de ônibus rodoviárias interestaduais e internacionais pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres prevê GPS, centrais de monitoramento e formas eletrônicas de controle em tempo real de frota e operações.
Apesar de a primeira fase contemplar os ônibus que fazem linhas intermunicipais rodoviárias da Cometa em São Paulo, é evidente que a companhia quer continuar em seus serviços interestaduais e já se prepara isso, dando uma indicação clara da postura da empresa na licitação, que ainda é alvo de discórdia entre as viações e o Governo Federal que não entraram em acordo em diversos pontos, como quantidade de frota, divisão de grupos e lotes e taxa de ocupação.
A Viação Cometa anunciou que paulatinamente deve ampliar o número de ônibus com GPS e as ligações entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo devem ser as próximas a receberem a tecnologia.
Publicado em 23/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

sábado, 25 de agosto de 2012

Melhores transportadoras do ano recebem Prêmio da Monsanto

Evento terá a participação de especialistas, juristas e de executivos de algumas das maiores empresas de logística do Brasil, que falarão sobre a Lei 12619/2012 que vem rendendo discussões em todo o país. Acesse o link abaixo para ler mais.

Publicado em 23/08/2012 no site Agrolink, http://www.agrolink.com.br/culturas/milho/noticia/melhores-transportadoras-do-ano-recebem-premio-de-logistica-da-monsanto_155111.html

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Frete de trem mais caro do que de caminhão em MT


A situação enfrentada pelos produtores de soja e milho na principal região de grãos do Brasil expõe a necessidade de ampliação da malha ferroviária, ao mesmo tempo que indica que mudanças no modelo de concessão do setor poderam beneficiar o escoamento produção agrícola. Nesta fase da safra de inverno, o Mato Grosso vive seu pico de escoamento. As limitações logísticas colocam os produtores em uma situação “preocupante”, diz o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado do Mato Grosso (Aprosoja) e do Movimento Pró-Logística, Carlos Fávaro: a ferrovia, meio de transporte que historicamente tem preço bem inferior àquele cobrado nas estradas, passou a ter, em determinadas situações, um frete mais alto que o dos caminhões.
“Quando um produtor decide negociar o transporte de sua carga diretamente com a empresa ferroviária, e não por meio de uma ‘trading’, como costuma fazer, é exatamente essa a situação absurda que ele encontra”, comenta Fávaro. “Como a ferrovia é um monopólio, onde as regras não são transparentes, o produtor vira simplesmente um refém dessa situação.”
No Mato Grosso, a única opção ferroviária de acesso aos portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR) se dá pela Ferronorte, malha controlada pela América Latina Logística (ALL). A empresa nega a afirmação de que cobra preço de frete acima do rodoviário. Caso o produtor não queira escoar sua safra pela ferrovia, os únicos caminhos que tem são a BR-163, que corta o Centro-Oeste até chegar a Santarém (PA), onde é possível acessar o rio Amazonas, e a BR-364, que avança até Porto Velho (RO), chegando ao rio Madeira.
Essa situação faz com que, praticamente, quase toda produção da região envolva a intermediação de uma trading. Grandes companhias, como Bunge e Cargill, compram a colheita dos fazendeiros e, por meio de um contrato já firmado com a ALL, transportam a produção até os portos do país, onde elas também detêm terminais de armazenamento. A crítica dos produtores não poupa o modelo de atuação dessas tradings.
Segundo Fávaro, da Aprosoja, essas companhias contratam um preço competitivo de frete ferroviário com a ALL, mas na hora de negociar com os produtores, o custo embutido na conta é o do frete dos caminhões, regularmente mais caro que o da ferrovia. “Quem paga o custo é o produtor. Para a formação do preço da soja ou do milho, as tradings sempre se baseiam no frete rodoviário, apesar de sabermos que, aqui no Mato Grosso, mais da metade da produção já sai pela ferrovia”, diz Fávaro.
Os dados do Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária apontam que, entre 2003 e 2011, o preço do frete rodoviário cobrado para levar a safra do Mato Grosso até o porto de Santos mais que dobrou, indo de US$ 62,3 para US$ 130 por tonelada. Hoje estima-se que, para cada mil km, o frete das estradas oscile entre US$ 40 e US$ 55. “Como a ferrovia sabe das limitações dos caminhões, ela pratica um preço alto também”, diz o presidente da Aprosoja. “Normalmente, esse frete chega a 95% do das rodovias. Se formos procurá-los diretamente, sem a participação das tradings, pode chegar a 105% do preço das estradas.”
Os produtores defendem as ferrovias como a melhor opção do transporte, mas cobram mudanças no acesso a elas. “Estamos falando do melhor caminho para o escoamento, mas o problema é o modelo, a forma que essa estrutura é oferecida”, comenta Fávaro.
O Valor procurou as tradings Bunge e Cargill para comentar as afirmações sobre a falta de transparência na cobrança de frete. A Bunge enviou nota informando apenas que, “considerando questões globais e de mercado, além da forte demanda atual por grãos, a Bunge avalia alguns fatores na negociação logística, tais como: projeções com os menores custos logísticos possíveis, os custos mais atrativos aos produtores e o índice de competitividade de cada modal”. A Cargill não retornou ao pedido de entrevista.
Segundo dados do setor agronegócio, o segmento perde cerca de US$ 4 bilhões por ano por conta da ineficiência da infraestrutura e logística nacionais.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

A solução elétrica cada vez mais moderna para transportes limpos



elétrico híbrido
Ônibus elétrico híbrido fabricado pela Eletra, do ABC Paulista, foi destaque em Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos. A empresa anunciou a produção de um novo modelo, o Híbrido BR, que pode emitir menos poluição ainda e reduzir o nível de consumo. A energia elétrica é melhor aproveitada no modelo. A empresa também foi responsável pelo novo trólebus articulado de 18 metros que vai circular pelo corredor ABD. O trólebus pode funcionar por até 7 quilômetros independentemente de ter o fornecimento da rede elétrica aérea. Foto: Adamo Bazani do ônibus que é usado em Itaipu desde 2010 e foi apresentado no salão do Veículo Elétrico.

Novo híbrido da Eletra vai aproveitar melhor energia elétrica
Novidade em transporte público foi anunciada no Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos e Componentes. Toyota vai comercializar a partir de outubro carro de passeio elétrico híbrido
ADAMO BAZANI – CBN
Os veículos de tecnologia limpa, em especial os movidos totalmente ou parcialmente a energia elétrica não são mais tendências, mas realidades que estão em ampla expansão. E o uso destes veículos que não agridem o meio ambiente e o bolso dos operadores poderia ser maior se houvesse mais estímulos públicos para desenvolvimento de pesquisa e para a criação de subsídios para produção, talvez subsídios semelhantes aos dados à gasolina, motos e veículos de passeio comuns cujo excesso deles é uma das causas da poluição nas cidades além do trânsito que beira o caos.
Esse foi um sentimento fácil de ser notado entre os principais expositores no VE – 8º Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos e Componentes, realizado na Capital Paulista, e que reuniu diversas alternativas de tração elétrica desde para bicicletas como para ônibus de grande porte.
Um dos destaques ficou para o ABC Paulista, com a empresa Eletra Industrial, com sede em São Bernardo do Campo, que produz sistemas para ônibus elétricos híbridos e para trólebus.
A companhia expôs no evento um ônibus elétrico híbrido que é usado desde 2010 na Usina de Itaipu. Com carroceria Mascarello, motor elétrico WEG, motor a combustão Mitisubishi, chassi Tuttotrasporti e sistema da Eletra, o veículo chamou a atenção dos visitantes da feira pelo seu porte, design e tecnologia embarcada.
Mas o ônibus, conhecido por quem acompanha o setor, já tem sucessores pela própria empresa Eletra.
A fabricante vai lançar em setembro, mas já adiantou a informação para a reportagem, o Híbrido BR, nome dado em razão à nacionalização total do veículo.
O motor a combustão também será do ABC Paulista, fabricado pela Mercedes Benz do Brasil, e já obedece às novas normas de redução de poluentes previstas pelo Proconve – Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores fase P 7, com base nas normas internacionais Euro V. Este motor pode funcionar com o diesel S 50 (com menos partículas de enxofre) ou com diesel de cana de açúcar, que é diferente do etanol.
Este modelo de híbrido vai poluir ainda menos que os veículos deste tipo já existentes no mercado, não só pelo motor a combustão que obedece aos padrões Euro V e que pode operar com o combustível de cana de açúcar, mas também por modernizações na tração elétrica. O consumo de combustível também será menor.
A gerente comercial da Eletra, Ieda Maria Aparecida Oliveira, conta que a energia elétrica será melhor aproveitada.
“O sistema desse Híbrido BR possui baterias desenvolvidas pela Moura Brasil que não se diferem dos padrões atuais do mercado, mas conseguem ter uma performance maior. Além disso, o sistema vai conseguir aproveitar melhor a energia gerada pelo motor a combustão e pelas frenagens. Na prática, o ônibus vai ter mais energia sem esforçar para isso o motor a diesel ou diesel de cana de açúcar” – disse a gerente.
Um conjunto de baterias mais modernas com um sistema que aproveita mais energia elétrica não significa mais peso e mais espaço ocupado dentro do ônibus.
É o que garante o administrador de contratos da Eletra, José Antonio Nascimento.
“Hoje conseguimos fazer equipamentos de inversão, de gerenciamento eletrônico e todo o sistema de integração, em tamanhos inferiores e consequentemente com menor peso. Por exemplo, no ônibus apresentado aqui, todos os equipamentos eletrônicos que formam a ‘inteligência do veículo’, contando com os inversores, ocupam toda a parte traseira do ônibus, que é de 2010. Os ônibus novos já vão contar com espaços mais livres” – contou José Antônio do Nascimento
TRÓLEBUS NOVO PARA O ABC:
Já está na garagem da Metra, empresa que opera trólebus e ônibus no Corredor ABD, que liga a zona Leste de São Paulo à zona Sul, passando por municípios do ABC Paulista, um novo trólebus de 18 metros de comprimento que conta com avançados sistemas de tecnologias. O destaque fica por conta das baterias que dão autonomia ao trólebus em caso de problemas na rede área e na alimentação elétrica.
“Se houver queda de energia ou problema em alguma subestação no trajeto, o trolebus tem uma autonomia de 5 quilômetros se estiver totalmente lotado ou de até 7 quilômetros se estiver com menos peso para chegar a uma subestação que não estiver com problema ou terminar a viagem” – contou Ieda Aparecida Oliveira, gerente comercial da Eletra.
O veículo, refrigerado a água, tem um peso menor se fosse comparado a um trólebus articulado de tecnologia anterior, ar condicionado e tomadas internas pelas quais os passageiros podem carregar celulares e notebooks.
Já está em operação no corredor um veículo semelhante de 15 metros, com três eixos.
CARRO HÍBRIDO QUER CONQUISTAR MERCADO BRASILEIRO:
Se apesar de terem espaço para mais crescimento, os ônibus híbridos já são realidade no mercado brasileiro, o setor de carros de passeio deve começar a entrar na era híbrida no País.
A Toyota exibiu no evento o modelo Prius, um carro elétrico híbrido que assim como boa parte dos ônibus já produzidos no Brasil, dispensa o carregamento de energia por fontes externas, ou seja, não precisam ser plugados para terem as baterias recarregadas.
Mas o veículo da Toyota é importado. A montadora ainda não definiu os valores, porém acredita na relação custo/benefício do carro, que além de diminuir a emissão de poluentes vai reduzir o consumo de gasolina.
O fato de o carro ser importado não significa que ele não terá a cara do Brasil, como garante o diretor de assuntos governamentais e relações públicas da Toyota, Ricardo Bastos.
“Foram cerca de dois anos de estudo para adaptar o modelo mundial aos padrões do mercado brasileiro. Foram levados em consideração pontos como características das estradas brasileiras, condições climáticas e até o estilo de como gosta de dirigir o brasileiro e as características da gasolina nacional” – disse o executivo.
A Toyota já comercializou 2,7 milhões de carros híbridos no mundo e agora tenta, mesmo que aos poucos, introduzir a tecnologia no Brasil.
Hoje o Prius é feito no Japão, China e Indonésia. A produção no Brasil não está descartada, mas a decisão da empresa vai depender da demanda pelo carro e das condições de políticas governamentais quanto a incentivos de produção de veículos menos poluentes.
MAGRELAS ELETRIZANTES:
Mas a tração elétrica não faz mais parte somente da realidade do mercado de luxuosos carros de passeio ou mesmo dos grandes ônibus para os transportes de massa. As bicicletas também agora têm uma energia a mais, além das pedaladas do condutor.
O segmento de bicicletas elétricas tem ganhado aos poucos mais mercado. Os modelos vendidos no Brasil podem ter preços entre R$ 2 mil e R$ 17 mil.
As marcas Velle, Sense, Kinetron, EvoluBike e GeneralWings apresentaram no Salão do Veículo Elétrico diversos modelos tanto para uso urbano como para fora de estrada.
Destaque para o modelo dobrável que pode ser guardado num canto do escritório e até ser melhor transportado em ônibus ou no metrô.
Mas por que uma bicicleta elétrica se basta pedalar para conduzir o meio de transporte?
A explicação está no fato de a bicicleta ser um meio de deslocamento do dia a dia não apenas para o lazer. A bicicleta elétrica exige menos esforço do condutor que pode enfrentar subidas e trajetos irregulares e pode percorrer distâncias maiores sem precisar chegar suado ao trabalho ou cansado a algum compromisso.
MAIS SOLUÇÕES:
A feira também reuniu outras soluções como veículos elétricos de pequeno porte para transporte de cargas e pessoas em aplicações como deslocamentos dentro de indústrias, estádios de futebol, alas de hospital e entregas em curtas distâncias.
Estiveram presentes empresas como EVX Veículos Elétricos, VO2 Veículos Elétricos e o Grupo CPFL, que mostrou um pequeno caminhão com baterias que podem ser recarregadas pela rede de energia e já foi testado pelos Correios em Campinas e agora será usado pelo departamento de jardinagem da prefeitura de Santos.
O mercado destes veículos, entretanto, pede mais incentivos governamentais para ganhar demanda.
“Um carro deste reduz a emissão de poluentes, o consumo de combustíveis fósseis, aumenta a praticidade dos deslocamentos, mas tem uma tributação até maior que muitos veículos a gasolina convencionais dependendo da configuração. Isso aliado a falta de produção deixa o preço maior” – disse o representante da VO2, João Vicente.
Representando a EVX, Odair Brandão, concorda e diz que o mercado consumidor tende a crescer, já que os números atuais são modestos.
“Só a empresa Clubcar vende por ano mundialmente 250 mil veículos elétricos leves. Aqui no Brasil, contando com todos os veículos na história temos apenas 20 mil carros em operação. Hoje 70% das peças que montamos são importadas. Se houvesse uma conscientização dos impactos positivos sobre a economia e o meio ambiente, com estímulos, seria vantajosa a produção destes veículos no Brasil” – contou Odair Brandão.
A BMW possui um carro de luxo híbrido, mas comercializado apenas no exterior.
Para o Brasil, a empresa apresentou um modelo que possui quatro soluções de redução de consumo e poluição.
Na função EcoPro, o motorista recebe orientações de como dirigir de forma mais econômicaa e que polua menos. Já o sistema Auto Start Stop faz com que o motor do carro desligue automaticamente em semáforos ou outras paradas e religue apenas com o acionamento do pedal de aceleração.
O valor do carro é de cerca de R$ 135 mil.
híbrido
FOTO 2:
Ônibus Elétrico Híbrido foi colocado pela Eletra em operação no Corredor ABD em 1999. Com o passar do tempo, os veículos tiveram evolução. Hoje os ônibus estão mais eficientes, leves e com maior espaço para os passageiros. Foto: Adamo Bazani
ÔNIBUS ELÉTRICOS, A EVOLUÇÃO:
As cidades só se atentaram novamente às necessidades de ônibus que poluam menos recentemente.
O sistema de trólebus no Brasil já foi um dos 22 maiores do mundo. A cidade de São Paulo, por exemplo, chegou a ter 474 veículos elétricos que não emitem nenhum tipo de emissão de gases em sua operação.
Mas com o tempo, os sistemas de trólebus foram aposentados e os corredores de transporte público, apesar de já representarem um ganho ambiental e de mobilidade, poderiam se melhor.
Culpar às quedas das alavancas dos trólebus o fato de o meio de transporte ser deixado de lado é simplificar ou mascarar o abandono.
Fatores como falta de incentivos para a produção e para a compra de veículos elétricos, falta de estrutura de tráfego para os trólebus que funcionam melhor em corredores e até mesmo uma pressão velada da indústria de automóveis comuns podem estar por trás da realidade.
Porém muitas vezes a necessidade fala mais alto que qualquer um destes fatores.
Hoje as cidades têm a consciência (esperamos que seja consciência e não lampejos) de que é preciso investir em mobilidade e mobilidade limpa se não quiserem continuar perdendo recursos altíssimos e até vidas por causa dos problemas relacionados ao trânsito e poluição.
O ônibus elétrico volta a ganhar destaque nas discussões sobre cidades melhores.
Hoje há várias tecnologias desenvolvidas pela indústria nacional em relação à tração elétrica para veículos de transporte coletivo.
“Há em linhas gerais três soluções: o trólebus, o elétrico puro (com baterias recarregáveis em fontes externas) e o elétrico híbrido. Cada um tem sua aplicação e suas vantagens. A verdade é que as tecnologias são atualizadas de maneira mais rápida e oferecem mais ganhos não só ambientais e de conforto para o passageiro, que são os principais, mas também redução de custo operacional” – disse Ieda Maria Aparecida Oliveira, gerente comercial da Eletra Industrial, empresa de São Bernardo do Campo que produz sistemas elétricos para ônibus.
Ela destaca a modernização dos trólebus, com veículos que aproveitam melhor a energia elétrica, que são mais resistentes, mais fáceis de operar e com um conforto maior para os passageiros.
As quedas de pantógrafos (alavancas) que foram desculpas para o sucateamento de alguns sistemas, já não são mais justificativas. Não que elas nunca mais vão se soltar dos fios, mas esse problema tende a não ser mais comum.
As alavancas são pneumáticas, mais modernas, que absorvem as trepidações e os efeitos de possíveis irregularidades no pavimento.
Além disso, a forma de conduzir hoje está melhor. Quem explica é José Marcelo da Silva, instrutor de treinamento da Metra, empresa de ônibus e trólebus que opera o Corredor ABD, que liga o bairro de São Mateus, na zona Leste da Capital Paulista, ao Jabaquara, na zona Sul, passando pelos municípios de Diadema, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá (terminal Sônia Maria).
“Os modelos mais antigos para trocar de rede aérea (o trajeto dos fios), o motorista tinha de frear e acelerar de novo. Dava inevitavelmente alguns trancos e o risco de queda das alavancas era maior. Já nos mais novos, a troca de rede é feita por um botão acionado no painel. Dirigir trólebus é diferente dos ônibus comuns, exige habilidades e um conhecimento melhor sobre a máquina, mas depois que se habitua, quem dirige trólebus não quer voltar para os ônibus comuns” – disse o profissional.
A manutenção de um trólebus também ficou mais moderna, como explica o técnico de eletrônica da Metra, Rosivaldo Ribeiro de Miranda.
“O trólebus pode ter uma vida útil de 30 anos. Vários componentes que se desgastam prematuramente em ônibus a diesel, como lona de freio, duram bem mais nos trólebus cujas operações são mais suaves sem perder a velocidade comercial. Óleo lubrificante só é usado em alguns componentes. No final das contas sai mais vantajoso para um empresário operar trólebus. E hoje os componentes destes veículos estão mais baratos e resistentes. Praticamente só exigem manutenções preventivas” – explicou o técnico.
HÍBRIDO DA ELETRA E O HÍBRIDO DA VOLVO.:
No mercado brasileiro, duas empresas com plantas nacionais se destacaram este ano apresentando soluções para ônibus elétricos híbridos que têm sido vistos como alternativas menos poluentes com operações mais flexíveis: a Eletra e a Volvo.
As duas empresas apresentam veículos com dois motores, um elétrico e outro a combustão, que pode reduzir em cerca de 35% o consumo de combustível e de 50% a 90% a emissão de poluentes dependendo do tipo de material lançado no ar.
Mas há diferenças entre os veículos, o que não significa dizer que um é melhor que o outro. Cada um pode ter uma aplicação mais adequada de acordo com o número de paradas no trajeto, topografia e demanda.
A Volvo fabrica seus próprios chassis enquanto a Eletra firma parcerias com montadoras.
Mas esta não é a principal diferença entre as duas marcas.
O diferencial maior está no uso do motor a combustão.
Há duas opções: o sistema em paralelo e o em série ou seriado.
A Volvo adota o sistema paralelo pelo qual o motor a combustão funciona paralelamente com o motor elétrico. O motor a combustão gera energia elétrica mas também é responsável pela movimentação do veículo. No caso do ônibus da Volvo, quando ele supera aproximadamente 20 quilômetros por hora entra em funcionamento o motor a diesel.
Já a Eletra adota o sistema híbrido série ou seriado. Nele, o motor a diesel é apenas gerador de energia. Em todos os momentos de operação do ônibus, a tração (o movimento) se dá pela energia elétrica.
Qual é o mais vantajoso, o menos poluente e o que mais reduz o consumo vai depender mesmo de acordo com o tipo do uso, segundo os especialistas ouvidos na oitava edição do Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos e Componentes.
O salão vai ser realizado até o dia 16 de agosto, no Expo Imigrantes, no quilômetro 1,6 da rodovia dos Imigrantes. As visitações são gratuitas.
Publicado em 15/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Transmilenio: Volvo vai entregar mais 120 biarticulados para expansão do sistema


onibus
O sistema Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia, é considerado um dos mais modernos BRTs (corredores de ônibus avançados) do mundo e é um dos exemplos em solução de mobilidade. O Transmilenio está na sua terceira fase de expansão: hoje possui 100 estações e atende 1,6 milhão de pessoas que trabalham, estudam, consomem e moram em 266 bairros. Esses números devem ser ampliados nos próximos meses.
Volvo vende 120 chassis biarticulados para Transmilênio da Colômbia
O negócio foi de US$ 25,5 milhões. Metade da frota será entregue até o final deste ano. Com a venda, Volvo alcança participação de 75% no sistema de BRT que é considerado exemplo mundial de sistema de corredores de ônibus.
ADAMO BAZANI – CBN

O sistema de corredores de ônibus de Bogotá, na Colômbia, o Transmilênio, está em na terceira fase de expansão quanto ao número de linhas e extensão.
Para isso vai precisar renovar a frota e ampliar no número de veículos além da oferta de lugares.
E essa expansão do sistema colombiano, considerado referência mundial de transportes urbanos que adotou o ônibus como solução de mobilidade, se torna uma oportunidade ainda maior para o mercado brasileiro de veículos de transporte coletivo.
Na verdade, desde quando foi inaugurado em 18 de dezembro de 2000, o Transmilênio conta com ônibus brasileiros. O sistema colombiano foi inspirado no modelo de Curitiba que apresenta vias realmente exclusivas para ônibus, no lugar de pontos há estações que oferecem acessibilidade com embarque e desembarque no mesmo nível do assoalho dos veículos e que protegem os passageiros de chuva, sol e vento. O sistema também usa veículos de grande porte, como os ônibus articulados e biarticulados.
E como foi em sua concepção e inauguração, nesta fase de crescimento o Transmilênio não deixa de ter essência brasileira.
A Volvo anunciou nesta segunda-feira, dia 13 de agosto de 2012, que comercializou 120 chassis de ônibus biarticulados para o Consorcio Express Ltda, um dos operadores de serviços de transportes no Transmilenio. O mesmo consorcio já havia no ano passado comprado 67 unidades da Volvo, entre ônibus convencionais e ônibus articulados.
Os 120 chassis biarticulados foram negociados por US$ 25,5 milhões. O valor não inclui o preço das carrocerias.
chassi onibus
Chassi Volvo B 340M biarticulado atende às necessidades por veículos de grande porte no sistema Transmilênio, de Bogotá, na Colômbia, podendo levar de uma só vez 250 passageiros, sem apertos. Com a venda de 120 unidades para o operador Consorcio Express Ltda, a marca responde por 75% dos ônibus de diversas configurações que circulam pelo Transmilêmio.
A encomenda será entregue em duas etapas. As primeiras 60 unidades devem estar em circulação no final deste ano. As outras, até o primeiro trimestre de 2013.
O modelo é o Volvo B 340 M de piso alto justamente para atender às plataformas elevadas cujo os embarques e desembarques são feitos no mesmo nível entre o assoalho do ônibus e o piso das estações. Com isso, o passageiro não precisa usar degraus nos veículos, o que facilita também o acesso de cadeiras de rodas ou outros equipamentos para pessoas que possuem mobilidade reduzida.
Os veículos são de tecnologia baseada nas normas Euro V, que agrega padrões de redução de emissão de poluentes.
A capacidade dos veículos é para transportar 250 passageiros entre em pé e sentados, mas sem apertos.
O sistema do Transmilênio hoje conta com 100 estações e atende a 1,6 milhão de passageiros por dia em 266 bairros e com a expansão deve ampliar o atendimento e as áreas servidas.
Em nota à imprensa, divulgada nesta segunda-feira pela Volvo, o presidente da divisão de ônibus na América Latina, Luís Carlos Pimenta, afirma que com esta venda, 75% da frota entre os ônibus no Transmilênio são da marca:
“Esta venda reforça a liderança absoluta da Volvo em ônibus para BRT não só na Colômbia, mas em toda América Latina, e demonstra a imbatível qualidade e adequação dos nossos veículos ao sistema” – disse Luís Carlos Pimenta
Na mesma nota, o gerente comercial do Grupo Volvo na Colômbia, Alexandre Selski, diz que a colocação de ônibus de grande porte num sistema pode aumentar a oferta de lugares sem a necessidade de ampliar a frota de veículos em circulação e ao mesmo tempo reduzir os custos operacionais.
“A aquisição de chassis de grande capacidade de transporte reforça o Transmilenio como referência em BRT. O uso de veículos de grande capacidade de transporte representa excelente opção para ampliar e otimizar o transporte coletivo, pois diminui o tempo de deslocamento e aumenta o número de passageiros transportados”, explica Alexandre Selski.
Publicado em 13/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

CINEMA E ARTE PARA TODOS



Cinema e arte para todos
Volare Visione pode ser alternativa para municípios e comunidades carentes que não têm salas de cinema.
ADAMO BAZANI – CBN

Você já imaginou ir ao cinema bem perto de casa? E se o cinema chegasse até você?
É a proposta da Volare, divisão de veículos leves da Marcopolo, ao apresentar no Festival Internacional de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul, o modelo W9 Fly Limousine Visione.
Trata-se de uma sala de cinema sobre rodas. Isso mesmo, um cinema itinerante.
O modelo tem sido usado para divulgação em comunidades ao entorno de Gramado cujos moradores apesar de estarem tão perto de um dos maiores festivais latino-americanos de cinema não têm acesso ao conteúdo artístico. Ironicamente muitos destes moradores até trabalham no evento.
Um dos objetivos de elaborar o modelo de ônibus é dar uma alternativa para cidades que não possuem salas de cinema levarem a arte para seus moradores.
O ônibus é dotado do que há de mais moderno em tecnologia áudio-visual embarcada.
A tela principal é de LCD de 60 polegadas. Há Blu-Ray 3 D e canais duplicados de som.
E quem pensa que o barulho externo vai atrapalhar o telespectador de curtir seu filme preferido não sabe que o veículo possui um sistema de isolamento acústico que minimiza os efeitos do som externo.
O operador de áudio e vídeo possui uma mesa destinada para a exibição e é possível também controlar a segurança com câmeras infravermelho que podem monitorar o interior do ônibus, mesmo com as luzes apagadas para a projeção dos filmes. Essas imagens de monitoramento são exibidas numa tela de 23 polegadas LCD.
CINEMA
Estrutura interna do miniônibus cinema itinerante chega a ser melhor que muitas salas de cinema pelo país. As poltronas são dispostas na configuração estádio e são revestidas de couro. O interior conta com TV LCD de 60 polegadas, Blue Ray 3 D, sistema de som com dois canais, ar condicionado específico para este uso, geladeira e vidros colados. O veículo também oferece condições de exibição ao ar livre. Foto: Mariana Granzotto
As poltronas do ônibus são executivas soft, revestidas de couro e com apoio para os braços no centro e nas laterais e porta-copos. O Volare Visione conta com vidros colados, sistema de ar condicionado específico para o uso e uma geladeira de 37 litros.
A capacidade interna é de 20 passageiros-espectadores.
As poltronas são dispostas como num estádio, uma em posição mais alta que a outra, solução adotada pelas maiores salas de cinema.
O mais interessante é que toda esta estrutura está num minionibus com menos de 10 metros de comprimento, ou seja, ele pode chegar a áreas realmente de difícil acesso.
O veículo também possui entradas para alimentação elétrica externa para os equipamentos eletroletrônicos, gerador de energia além de porta pantográfica, itinerário eletrônico e rodas de alumínio.
O Volare W 9 Fly Limousine Visione também pode exibir filmes para plateias em área externa. Para isso há duas opções de estrutura, uma com toldo na lateral que possibilita a instalação de um telão e outra com cobertura inflável de vários tamanhos que pode ser enchida em até 15 minutos.
O gerente comercial da Volare, Mateus Ritzel, afirma que o número de brasileiros sem acesso ao cinema é grande. Um dos motivos é que muitas cidades no País sequer apresentam uma sala. Para o executivo, ônibus transformados em cinema podem suprir essa carência:
“Fizemos uma pesquisa detalhada para entender este segmento e descobrimos números interessantes. No Brasil, existem mais de 1.300 municípios com população entre 20 mil e 100 mil habitantes, mas, destes, aproximadamente 100 possuem salas de exibição. O Volare Visione foi projetado para atender a esta demanda e tem como objetivo disseminar o cinema em todo o país e levar os filmes a mais brasileiros”.

Publicado em 14/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

sábado, 11 de agosto de 2012

Empresas de ônibus modernizam serviço para atrair novos clientes


A concorrência acirrada com o setor aéreo fez com que companhias rodoviárias “importassem” serviços já conhecidos por quem cruza o país a bordo de aeronaves.
Foto: Divulgação/1001
Empresas de ônibus modernizam serviço para atrair novos clientes
Check-in, despacho de bagagem, programa de fidelidade, 1ª e 2ª classes. Esses termos são comuns aos usuários do transporte aéreo de passageiros e agora também fazem parte do dia a dia de quem frequenta os terminais rodoviários do país. Para enfrentar a concorrência com o setor – que bateu recorde de desembarques no último ano –, empresas de ônibus intermunicipais e interestaduais têm adaptado conceitos das companhias aéreas e disponibilizado novos serviços aos seus clientes.

A preocupação tem fundamento. Em 2011, segundolevantamento do Ministério do Turismo, mais de 79 milhões de passageiros desembarcaram em aeroportos brasileiros, um crescimento de 15,8% em relação ao período anterior. O número de passageiros no transporte rodoviário, no entanto, tem declinado: 131 milhões, em 2011, contra 136 milhões, em 2010 – de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Com passagens aéreas cada vez mais acessíveis à classe C brasileira, foi preciso se reinventar para atrair e manter aqueles que optam pelas rodovias. Para o pesquisador em transporte na Universidade de Brasília (UnB), Artur Morais, as empresas estão tentando correr atrás do prejuízo. “Essa é uma tentativa de fidelizar os clientes e buscar aqueles que têm alguma restrição com o transporte aéreo. Antes o diferencial era o preço, que não existe mais. Até que enfim os empresários abriram os olhos e perceberam que o consumidor está mais exigente”, diz.

novorio_07082012.jpgE é buscando agradar esse novo perfil de usuários que as empresas têm investido em inovação. Exemplo disso são os novos ônibus Double Class lançados pela Auto Viação 1001 no início de junho. Com a aposta de atingir jovens executivos, foram investidos R$ 16 milhões na compra de 18 veículos com tecnologia Wi-Fi para uso gratuito pelos passageiros do trecho Rio-São Paulo. Além disso, a frota conta com sistema de classes, executiva e leito, e uma espécie de escritório a bordo, com mesas para apoiar notebooks e tomadas para carregar computadores e celulares.

“A gente sabe que existe uma concorrência forte com o aéreo, porém, quem mais sofre com isso são as empresas rodoviárias de longa distância. Não é o nosso caso. Uma das linhas mais longas que temos é a Rio-São Paulo, com forte atuação da ponte aérea. Diferente de muitas empresas, que vem anunciando quedas de passageiros, nós estamos em uma situação diferente por conta de todas os lançamentos que temos feito”, explica o gerente de marketing e comercial da empresa, Daniel Oliveira.

As inovações a que se refere Oliveira vão além dos ônibus com internet livre. Desde março, a empresa oferece um programa de fidelidade, baseado no mesmo modelo das aéreas. Um cartão de crédito criado em parceria com uma instituição financeira gera pontos para as passagens compradas pela internet ou pelo telefone celular, que podem ser trocados por viagens gratuitas. “A grande vantagem do nosso programa é que o cliente pode trocar os pontos por passagens em outras empresas do Grupo JCA [responsável pela Viação Cometa, Viação Catarinense, Viação Macaense, Expresso do Sul e SIT-Macaé]. A partir da segunda quinzena de agosto vamos estender o serviço também para as compras realizadas nas rodoviárias”, explica.

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Custo x benefícios
O setor rodoviário enfrenta outro desafio quando o quesito é justamente o bolso. Enquanto as aéreas podem realizar promoções de última hora, as rodoviárias precisam informar pedidos de tarifas promocionais na ANTT. É necessário registrar, com no mínimo cinco dias de antecedência, os descontos superiores a 50% no preço máximo autorizado pela agência. As tarifas pagas pelos usuários do transporte terrestre ainda incluem ICMS, o que não ocorre na aviação.

A prova disso é o levantamento realizado pela Agência CNT de Notícias no dia 6 de agosto. No trecho Rio-São Paulo, por exemplo, as duas maiores companhias aéreas do país disponibilizavam passagens a partir de R$ 99, quando compradas com mais de sete dias de antecedência. O mesmo trecho percorrido em um ônibus leito custava entre R$ 109 e R$ 119 e, no executivo, R$ 91. O modelo rodoviário, no entanto, se mostra mais competitivo nos bilhetes comprados com pouca antecedência, já que não sofre reajuste.

“Acredito que não é só uma questão de regulação, já que quase não existe concorrência entre as empresas de transporte interestadual. Elas concorrem diretamente com o aéreo, que hoje, em algumas rotas, possui mais de uma empresa atuando. As empresas têm que ter essa flexibilidade [de efetuar promoções]. Agora, o que existia também era uma falta de vontade dos empresários em reduzir os preços”, pondera o engenheiro Artur Morais.

itapemirim.jpgConforto
Enquanto ações promocionais mais agressivas não são possíveis, investir no conforto do passageiro é o diferencial. Para isso, as rodoviárias estão cada dia mais parecidas com os aeroportos. Salas vip, paineis eletrônicos, sistema de autofalantes e até despacho de bagagem já estão disponíveis aos usuários. A Itapemirim, empresa que está há 64 anos no mercado, é uma das que “importou” o sistema de check-in. Para atender aos mais exigentes, a companhia passou a pesar as malas e se encarregou de levá-las ao bagageiro dos ônibus.

“Estamos sempre procurando formas de diminuir a experiência dos passageiros em aguardar. Por meio de uma pesquisa, vimos que este poderia ser um diferencial, já que o passageiro não quer mais ficar em filas”, explica o gerente comercial da viação capixaba, Fernando Santos. Além do despacho, a empresa oferece em alguns terminais – como o de São Paulo e Rio de Janeiro – as chamadas salas vip. O espaço, com saída direta para a plataforma de embarque, possui café, chá, ar-condicionado, TV, biblioteca e bancada para acesso à internet.

Mobilidade
A entrada no universo online, inclusive, faz parte das ações para fisgar esse novo perfil de viajantes. Grande parte das empresas de transporte rodoviário já possui a opção de compra de bilhetes pela internet ou pelo telefone. Agora, elas investem na customização do serviço para tablets e smartphones. A Viação 1001 lançou a venda pelos celulares em março e a Itapemirim espera lançá-la nos próximos meses. “A aceitação foi tão boa que pensamos em ampliar o serviço. Para quem ainda não tem celular no modelo smartphone, queremos lançar pontos de vendas por meio de totens ativos, no mesmo formato dos autoatendimentos, que hoje servem apenas para impressão de bilhetes comprados pela internet”, antecipa o Daniel Oliveira, da Viação1001. O projeto está em fase de testes, mas a expectativa é de que, em breve, os usuários possam contar com mais este serviço.

Jacy Diello
Agência CNT de Notícias

TREM BALA: Etav, para que mesmo?


Governo oficializou a Etav –Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade para fiscalizar e participar do projeto de implementação de um trem-bala entre São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. A real necessidade da criação da empresa é contestada, já que suas funções poderiam ser exercidas pelas estruturas existentes na máquina pública, sem a criação de uma nova. Presidente da empresa é Bernardo Figueiredo, cuja recondução para a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) foi rejeitada pelo Senado. (foto: Trem Bala no Japão)
Constituída empresa estatal para o trem-bala
Ex diretor da ANTT, Bernardo Figueiredo, será o presidente da Etav.
ADAMO BAZANI – CBN
Mais uma estrutura para a máquina estatal foi constituída nesta quarta-feira, dia 08 de agosto de 2012, desta vez para o projeto do trem bala, que deve ligar São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro.
A Etav – Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A. teve a constituição formalizada em Assembleia Geral coordenada pela Procuradoria Geral da União.
A estatal nasce com um capital público de R$ 50 milhões. O objetivo da empresa será fiscalizar o andamento das obras e o cumprimento dos contratos para a construção e compra de veículos do TAV – Trem de Alta Velocidade.
A criação da companhia é vista como mais um gasto que vai deixar o trem-bala muito mais caro que os R$ 33 bilhões previstos para a linha. A estimativa do mercado, que frustrou os últimos leilões, é de que o trem bala custe na prática R$ 50 bilhões aproximadamente. Para tentar corrigir uma distorção técnica e deixar o projeto mais atrativo para a iniciativa privada, o Governo desmembrou a licitação em duas partes: a da escolha dos trens e tecnologia e a das obras civis.
Agora, o leilão deve ser realizado até o dia 30 de maio de 2013. A previsão está no PAC 2 – Programa de Aceleração do Crescimento. O edital e o contrato devem ser publicados até 30 de outubro de 2012 e a contratação deve ser formalizada até 30 de outubro de 2013.
A justificativa do Governo Federal para a criação da Estatal é torná-la sócia das empresas que devem participar do projeto e fiscalizar as intervenções.
No entanto, o papel fiscalizador da Etav é considerado desnecessário pelo fato de o Governo já ter a estrutura da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e do Ministério dos Transportes para realizar este trabalho, sem a necessidade de criar mais cargos e aumentar os gastos com a folha de pagamentos de servidores públicos.
Sobre o fato de a Etav se tornar sócia das empresas no projeto, a dúvida é se até que ponto isso vai trazer vantagens para os cofres do governo.
Outra justificativa para a criação Etav é que, com a sociedade, a empresa estatal absorveria conhecimento tecnológico para futuros projetos nacionais. Mas isso poderia ser feito através de parcerias, que poderiam ser previstas nos editais, com instituições de ensino e pesquisa.
EX DIRETOR DA ANTT É O PRESIDENTE DA ETAV:
O ex diretor da ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, Bernardo Figueiredo, foi constituído diretor-presidente da Etav – Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade S.A.
Bernardo Figueiredo teve sua recondução à diretoria da ANTT rejeitada pelo Senado Federal. A justificativa foi que durante o comando da ANTT, Figueiredo não conseguiu colocar em prática projetos como o próprio trem-bala e a licitação das linhas de ônibus interestaduais e internacionais.
O Ministério Público conseguiu na Justiça por um tempo impedir o leilão do tem bala até que a licitação dos ônibus fosse realizada. No entendimento do Ministério Público, antes de tocar um projeto novo e caro, o Governo Federal deveria se atentar à problemas presentes e mais urgentes como a necessidade de modernização dos serviços de ônibus.
A postura das próprias empresas de ônibus, que contestam diversos tópicos da licitação, acabou ajudando o trem-bala.
Ao moverem ações judiciais contra a licitação e atrasarem o certame, os empresários deram ao Governo o argumento que ele precisava para neutralizar esta postura do Ministério Público: o Governo quer fazer a licitação e tem tudo pronto, são os empresários que atrasam o processo.
Enquanto Bernardo Figueiredo assume a Etav, o Governo não consegue emplacar um novo nome na ANTT, o que impede a agência de avançar em vários projetos, inclusive em licitações. A presidente Dilma Rousseff escolheu para diretor-geral da ANTT, Daniel Siegelman, que atua no Ministério dos Transportes. Mas o nome ainda não foi mandado para o Senado Federal.
Enquanto a ANTT está neste impasse, três diretores provisórios e o conselheiro mais antigo, Ivo Borges, como diretor-geral, tentam impedir mais atrasos na Agência Nacional de Transportes Terrestres.
Além de Bernardo Figueiredo, outros servidores de altos cargos já estão com ocupação oficializada na Etav.
Foram empossados pelo Ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, os integrantes do Consad – Conselho Administrativo e do Confis – Conselho Fiscal. São eles:
Consad:
Miguel Masela, como presidente e representante do Ministério dos Transportes.
Nélida Masela, representante do Ministério dos Transportes
Dino Batista, representante do Ministério dos Transportes
Maurício Muniz, representante do Ministério do Planejamento.
Luiz Antonio Rodrigues Elias, representante do Ministério de Ciência e Tecnologia.
Confis:
Adelaide Cristina de Oliveira, representante do Ministério dos Transportes.
Francisco Antônio Martins, representante do Ministério dos Transportes.
Debora Peters, representante do Ministério da Fazenda.
O Governo pretende concluir o trem bala entre 2019 e 2020. Em sua gestão, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, havia prometido as operações entre 2014 e 2015.
Publicado em 09/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Transantiago terá Minionbus da Volare

Transantiago
Minonibus Volare W 9 que vai prestar serviços em linhas alimentadoras da empresa Alsacia Express. Fabricante de minionibus da marca Marcopolo vendeu 167 unidades para o sistema de corredor BRT Transantiago, da capital chilena. Foto: Júlio Soares

Trasantiago terá minionibus da Volare
Veículos vão servir linhas alimentadoras.
ADAMO BAZANI – CBN

Quando se fala em sistemas de BRT – Bus Rapid Transit, a primeira impressão em relação aos veículos é sobre os enormes ônibus articulados e biarticulados que podem transportar entre 150 e 250 pessoas sem apertos de uma só vez.
Realmente são os ônibus considerados essenciais para atenderem às grandes demandas nas linhas troncais (principais).
Mas BRT não é apenas um tipo de ônibus e nem somente um corredor, mas um sistema de prestação de serviços de transportes, projetado para atender os passageiros de acordo com as necessidades da região onde opera. Assim fazem parte de um sistema de BRTS estações modernas nas quais os passageiros ficam esperando os veículos protegidos de intempéries, itens de acessibilidade, como rampas nas paradas e embarque em nível quando a plataforma da estação é na mesma altura do assoalho dos ônibus, painéis de informação quanto aos horários, e linhas e detalhes essenciais, como iluminação natural e lixeiras.
Mas o BRT vai além e mais que ônibus, corredores e equipamentos, consiste numa distribuição e operação inteligentes das linhas.
Em boa parte dos sistemas, as linhas são distribuídas entre troncais e alimentadoras.
Isso dinamiza a prestação de serviços, diminui custos para sobrar recursos para outros investimentos nos serviços e racionaliza o número de ônibus para os destinos mais movimentados, sem prejudicar a oferta de lugares no sistema.
Os ônibus de linhas alimentadoras são mais ágeis. De menor porte servem bairros e regiões de acesso mais difícil e levam os passageiros para fazerem integração gratuita no terminal mais próximo.
Em vez de vários ônibus indo para as regiões centrais, um veículo de grande porte atende o mesmo número de passageiros sem reduzir o conforto e ainda aumentado a velocidade média dos corredores.
Um dos sistemas de BRT de maior destaque atualmente é o Transantiago, na capital chilena.
As linhas são divididas também em troncais e alimentadoras.
E a Volare, divisão de veículos leves da Marcopolo, anunciou a venda de 167 unidades de um minionibus para o sistema. Confira nota da empresa:
volare
Mesmo sendo um ônibus de pequeno porte, o Volare W 9 na configuração para o Transantiago privilegia espaço interno. Luzes de LED iluminam melhor o ambiente. Foto: Júlio Soares.
Volare fornecerá para a operadora Alsacia Express, de Santiago do Chile, 167 unidades do miniônibus W9, com motorização Euro 5 e transmissão automática Allison, para o Sistema Transantiago. Esta é uma das maiores vendas para o mercado externo já realizadas pela fabricante e a primeira vez que os veículos da marca serão utilizados nas linhas alimentadoras de um sistema BRT (Bus Rapid Transit).
Segundo Milton Susin, diretor-executivo da Volare, o fornecimento para as linhas alimentadoras de um dos mais modernos sistemas BRT é uma importante conquista para a empresa. “É um marco inédito na trajetória de 14 anos da Volare”, ressalta o executivo.
Desenvolvido para operar nas linhas alimentadoras, o Volare W9 proporciona maior agilidade que os veículos convencionais e possui características de robustez e conforto que garantem máxima segurança no transporte dos passageiros. A transmissão automática Allison LCT 2100 também proporciona maior silêncio e suavidade.
Com 8.585 mm de comprimento, o modelo conta com parede de separação, iluminação interna em LED, espaço interno para publicidade, saia mais baixa, sistema de porta eletropneumático, iluminação superior na escada e farol mais baixo com complemento em LED. O miniônibus Volare W9 possui motor MAXXFORCE 4.8 Euro V, com 165 cv de potência a 2.200 rpm, tanque de combustível de 150 litros e direção hidráulica.
Texto sobre BRT: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Nota da Volare/Marcopolo: Secco Consultoria

Publicado em 07/08/2012 no site Blogpontodeonibus.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

TRANSPORTE COLETIVO É SETOR ESTRATÉGICO PARA AMÉRICA LATINA, DIZ ESTUDO


ONIBUS
Relatório da União Internacional dos Transportes Públicos dá a dimensão dos ganhos ambientais, econômicos e sociais obtidos pelas cidades que investiram em transporte coletivo. As reduções de emissão de gás carbônico surpreenderam os especialistas da entidade mundial em diversos municípios. A organização cobra mais “reconhecimento” aos transportes pelos benefícios que o setor traz. Esse reconhecimento se dá por financiamentos e acima de tudo pela inclusão da mobilidade urbana como um dos temas centrais na formulação de políticas públicas. A população urbana deve crescer progressivamente e a quantidade de pessoas que necessitam de transportes público deve subir até 2050 de maneira representativa, chegando a 500 mil pessoas novas por semana nos sistema de ônibus, trem e metrô de todo o mundo. Corredores de ônibus são apontados pelo relatório como soluções eficazes e ao alcance de toda cidade. Foto – Divulgação Neobus.

 
Corredores de ônibus foram responsáveis pelas reduções mais significativas da poluição, diz UITP
Órgão Internacional cobra mais reconhecimento ao setor de transportes por conta da economia que proporciona ao poder público.
ADAMO BAZANI – CBN
 

O que já era de conhecimento de especialistas e da população em geral, agora foi traduzido em números de forma inédita para a América Latina.
A UITP (União Internacional dos Transportes Públicos, traduzindo para o português) divulgou um relatório no qual destaca a redução de emissão de gás carbônico (CO2) nas diversas cidades latinas que investiram em sistemas de transportes, principalmente em corredores exclusivos de ônibus, os BRTs – Bus Rapid Transit.
O relatório aponta que nos últimos cinco anos, a cidade de Santiago, no Chile, teve uma redução de emissão de 400 mil toneladas de gás carbônico por ano, apenas por conta da ampliação dos serviços de ônibus. Na cidade, circula o Transantiago, um moderno sistema de corredores que comportam veículos de grande capacidade, como articulados que além de reduzirem o número de carros de passeio nas ruas, também podem diminuir a quantidade de ônibus sem comprometer o atendimento aos passageiros.
Na cidade do México que conta com uma malha de metrô significativa integrada com ônibus, os transportes coletivos foram responsáveis diretos por uma redução de 200 mil toneladas de gás carbônico anualmente, levando em consideração a média dos últimos cinco anos.
O Rio de Janeiro se destacou. Ao criar exigências e condições para as empresas de ônibus renovarem suas frotas e readequar parte das linhas, a cidade do Rio de Janeiro possibilitou com os transportes públicos a redução média anual de emissão de gás carbônico atingiu as impressionantes 900 mil toneladas.
E o relatório aponta para uma tendência de mais reduções de poluentes no Rio de Janeiro pelo fato de o poder público investir em sistemas integrados de ônibus em corredores exclusivos do estilo BRT, que não são apenas espaços delimitados para os transportes públicos mas que compreendem a prestação de serviços mais adequada pensando desde o momento que o passageiro sai de sua casa para ir até a estação, a acessibilidade, o conforto no ônibus até a hora que o passageiro sai da estação que desejaria embarcar.
MAIOR RECONHECIMENTO:
O relatório da UITP é claro ao mencionar os ganhos sociais, ambientais e econômicos dos transportes públicos.
Do ponto de vista social, o acesso aos serviços essenciais que o cidadão tem direito e a geração de empregos diretos e indiretos proporcionada pelos transportes se destacam.
O ganho ambiental não se limita a reduzir as emissões de gás carbônico. A diminuição da frota de carros de passeio circulando no mesmo horário reduz outros tipos de poluentes no ar, além de melhor aproveitar o espaço urbano. Um corredor de ônibus transporta mais pessoas que cinco faixas de uma pista que segue no mesmo sentido, que só recebe carros de passeio.
Se em vez de construírem tantas avenidas largas para comportar o número crescente de carros de passeio, os poderes públicos investissem vias para transporte coletivo, “sobraria mais espaço” para a construção de praças e canteiros ajardinados.
A operadora Metra, responsável pelos serviços de ônibus e trólebus que ligam o ABC Paulista às zonas Sul e Leste de São Paulo, aproveita os canteiros das vias de transportes coletivos para plantar árvores. O Corredor Verde, como é chamado o programa, já foi responsável pelo plantio de 5 mil mudas.
Em Curitiba, referência mundial de transportes por conta dos pioneiros corredores de ônibus, a prefeitura tem revitalizado os espaços. O novo sistema de corredor, a Linha Verde incorpora áreas com jardins e ciclovias, que podem integrar ônibus e bicicletas. A Linha Verde já corta boa parte da cidade e é projetada para atender municípios vizinhos, como Fazenda Rio Grande,
Sobre os ganhos econômicos proporcionados pelos corredores de ônibus, a UITP relaciona diversos aspectos, como a diminuição dos gastos de saúde gerados pela poluição e pelos acidentes, menor custo para o gerenciamento do trânsito, além de proporcionar mais produtividade e qualidade de vida para os trabalhadores.
Com os corredores de ônibus e uma malha ferroviária bem planejada, as viagens se tornam mais rápidas e o trabalhador chega menos cansado e estressado no serviço.
Diante de todas estas vantagens proporcionadas pelos transportes coletivos, a UITP pede em seu relatório “maior reconhecimento dos benefícios trazidos pelo setor”.
O órgão internacional cobra mais recursos para o transporte público, mas não só isso: a inclusão do setor como prioridade para políticas públicas de curto, médio e longo prazos.
A necessidade de ampliação e qualificação dos transportes coletivos é para agora e também para evitar mais transtornos no futuro.
Em 2050, o planeta dever ter 9 bilhões de habitantes. O crescimento urbano terá destaque e várias áreas dedicadas à agricultura devem ceder mais espaço para as configurações urbanas.
Esse crescimento no número de habitantes representa cerca de 1 milhão de pessoas progressivamente a mais no Planeta por semana. Se for levada a média mais baixa das pessoas que usam os transportes públicos, são 500 mil pessoas a mais nos sistemas de ônibus, trem e metrô. O desafio é grande.
Por isso, é mais que urgente que as cidades levem mais a sério as questões de transportes, realizando obras para as principais ligações de cada sistema, sem desprezar os serviços nos bairros e regiões mais afastadas.
Para um país que quer crescer, o setor de transporte público deve ser considerado estratégico.
O relatório completo da UITP, entidade que reúne sociedade civil, especialistas e conta com a participação de formuladores de políticas, pode ser visto no site da organização:http://www.uitp.org/

Publicado em 05/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Campinas entra na era de veículos BRT

Viale BRT Campinas
Mesmo sem ter uma rede de espaços exclusivos que agilizem as viagens dos transportes coletivos, Campinas, no Interior Paulista, recebeu 15 unidades de um modelo de ônibus novo, com conceito de BRT – Bus Rapid Transit. O lote de 15 ônibus foi comprado pela Itajaí Transportes Ltda com custo de R$ 10 milhões.

Transportes em Campinas na era dos veículos BRT
A cidade recebeu 15 unidades do modelo Viale BRT. Ônibus articulados podem transportar até 145 passageiros com mais conforto.
ADAMO BAZANI – CBN

A cidade de Campinas, no Interior de São Paulo, entrou na era do BRT – Bus Rapid Transit. Pelo menos na frota de veículos, porque ainda em relação a corredores e outras prioridades no espaço urbano para agilizar os transportes coletivos, a cidade ainda fica devendo muito para quem mora ou só trabalha e estuda em Campinas.
A Itajaí Transportes Coletivos Ltda começou a fazer as primeiras operações com um modelo mais moderno de ônibus, que agrega um design futurista e ao mesmo tempo mais itens de segurança e conforto para os passageiros.
São 15 unidades do Viale BRT, cuja carroceria é produzida pela empresa Marcopolo e montada sobre chassi da Volvo.
Os veículos possuem diferenciais, como um sistema que deixa os faróis com luz mesmo durante o dia, para aumentar a visibilidade por parte de outros veículos ao ônibus, motor central, que tende a diminuir o ruído e ampliar o espaço interno, capacidade para 145 passageiros, com distância entre os bancos maior e poltronas anatômicas, itens e sinalização especiais para pessoas com mobilidade reduzida ou outro tipo de deficiência e iluminação interna de LED abrangendo todo o salão de passageiros para aumentar a sensação de bem estar durante as viagens.
Os ônibus também são mais largos e altos que os modelos anteriores.
Já em relação à parte de segurança, freios eletronicamente acionados e sistema de gerenciamento das operações, com alertas no painel em tempo real sobre as condições de veículo e até mesmo algum erro na forma de conduta, também fazem parte do pacote de segurança.
Os 15 ônibus custaram à Itajaí, cerca de R$ 10 milhões.
Em Campinas, o modelo deve circular na linha 2.12 – Terminal Itajaí, Campo Grande a Centro.
Dezesseis ônibus articulados sem o padrão BRT que antes serviam a 2.12, foram remanejados para as linhas 2.10 (Terminal Campo Grande / Terminal Barão Geraldo) e 2.11 (Terminal Campo Grande / Shopping Iguatemi). Com o remanejamento, aumentam as ofertas de lugares na linha com o modelo BRT e nas outras que receberam os articulados que já estavam em operação.

Publicado em 02/08/2012 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus