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terça-feira, 2 de junho de 2015

Caminhões autônomos vão mudar radicalmente o setor de cargas

Mercedes-Benz revela o Future Truck 2025 (25)
A direção autônoma de automóveis vai mudar radicalmente o transporte rodoviário de cargas num futuro próximo. Segundo o secretário-geral do Fórum Internacional de Transportes (ITF), José Viegas, é esse o setor em que primeiro deve ocorrer a massificação dos veículos que não precisam necessariamente de um condutor.
De acordo com Viegas, três caminhões autônomos da alemã Mercedes-Benz já conseguiram autorização do governo e operam comercialmente nas estradas do Estado americano de Montana. A princípio, os caminhoneiros estão lá, acompanhando o processo, o que não deve ser mais necessário em dois ou três anos.
“Isso vai ter importância decisiva na redução os custos do transporte rodoviário de mercadorias”, disse Viegas. “Hoje, na Europa, os caminhoneiros representam cerca de metade do custo do frete de longa distancia.”
Para Viegas, um dos principais limitadores desse tipo de transporte é o número de horas de trabalho do motorista. “Se você não tem motorista, essa limitação não existe. Então, você vai poder ter caminhões que vão circular 23 horas por dia”, afirmou.
Questionado sobre a satisfação os sindicatos de caminhoneiros com tal inovação tecnológica, Viegas admitiu que “isso traz complicações dramáticas no emprego, mas não adianta resistir”.
Cabines do futuro (3)“Do Rio de Janeiro a Salvador, por exemplo, são 3,000 km. Se você tiver essa tecnologia e eu não tiver, você vai ter um custo que é 30% a 40% abaixo do meu. No dia seguinte, eu estou fora do mercado”, afirmou. “É por isso que eu digo que vai ser uma propagação muito mais rápida (dessa tecnologia) no caminhão do que no automóvel particular.”
Viegas sugere a criação de um fundo para ajudar na recolocação e requalidicação dos caminhoneiros, que tendem a desaparecer com a nova tecnologia. “Por que, em vez de tentar resistir a essa força de progresso que é inevitável, os sindicatos não dizem: vamos pegar em 20% essa poupança e afetar ela a um fundo que permita fazer a qualificação e a reforma antecipada dos motoristas?”, questiona.
Segundo ele, a indústria está tentando convencer a União Europeia e a associação dos transportadores europeus a começar a trabalhar juntos num projeto sobre o tema. “Tem de ter, desde já, o envolvimento dos sindicatos na busca da solução e não no evitar desse desenvolvimento, que é inevitável”, disse. “Isso é algo que tem de ser tratado antes de a tecnologia estar no mercado, não depois.”
Publicado em 02/06/2015 no Blog do Caminhoneiro.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Montadoras estrangeiras crescem em tratores no país

trator argo

Mesmo com o desaquecimento do mercado brasileiro de máquinas agrícolas em 2014, as empresas estrangeiras de tratores que desembarcaram no país nos últimos anos registraram crescimento nas vendas e estão otimistas com a comercialização de seus produtos em 2015. O desempenho foi positivo no ano passado porque essas empresas focaram sua atuação em tratores de menor potência, cujas vendas avançaram.
A sul-coreana LS Mtron inaugurou em outubro de 2013 sua unidade brasileira, em Santa Catarina, a primeira de tratores do grupo (divisão LS Tractor) fora da Ásia. No país, a LS vendeu no ano passado quase dois mil tratores (1,93 mil unidades), ante 600 unidades em 2013, quando a maior parte da comercialização foi feita com produtos importados. O faturamento em 2014 foi de R$ 220 milhões.
Neste ano, a expectativa é que as vendas atinjam em torno de 2,5 mil unidades, afirma André Rorato,diretor comercial e de marketing da LS Mtron Brasil. A empresa sul-coreana investiu no país R$ 150 milhões – R$ 80 milhões somente na fábrica, que tem capacidade instalada de 5 mil unidades por ano. A LS Mtron Brasil comercializa tratores de 37 a 105 cavalos de potência, voltados principalmente à agricultura familiar.
Ao mesmo tempo em que há boas perspectivas para o mercado de tratores no país, Rorato observa que existe preocupação sobre o futuro dos programas governamentais, como o Mais Alimentos (linha de crédito voltada a agricultores familiares) e o Moderfrota (linha de financiamento do BNDES para a aquisição de máquinas agrícolas), o que poderia impactar as vendas. A razão para o temor é que cerca de 70% das vendas de tratores da LS Mtron são feitas por meio do Mais Alimentos. E a tendência é que esse percentual não se altere muito, avalia Rorato.
O segmento de agricultura familiar foi o que mais demandou novos tratores para o campo em 2014. Conforme a Anfavea, associação que representa as principais empresas do setor, a comercialização de tratores com até 80 cavalos de potência representou 51% do total vendido em 2014, ante 42% em 2013.
Outra empresa que aposta na demanda firme da agricultura familiar é a indiana Mahindra, considerada a maior produtora mundial de tratores em unidades, com cerca de 250 mil máquinas por ano. A companhia desembarcou no país de forma tímida, no fim de 2012, mas quer crescer no mercado brasileiro. A meta para 2015 é chegar a 5% de participação no mercado de tratores de até 95 cavalos de potência na região Sul, segundo Egisson Loreto, diretor da fábrica da Mahindra em Dois Irmãos (RS).
Em 2013, a Mahindra vendeu volume pequeno no país (menos de 200 unidades) e as máquinas foram importadas. O volume subiu para mais de 400 unidades em 2014, quando a empresa começou a produzir no Brasil. Este ano, Loreto acredita que as vendas podem passar de 1 mil unidades, em uma estratégia mais “agressiva”, com maior produção e abertura de novos concessionários.
No segundo semestre, a Mahindra deve começar a fabricar mais dois modelos de tratores no país – de 50 e 70 cavalos de potência (cv), que se somarão aos atuais de 80 e 92 cv.
A unidade industrial em Dois Irmãos (RS) é a primeira de tratores da Mahindra fora da Ásia, com capacidade para produzir 2 mil tratores por ano. Mas uma fábrica maior para a produção de até 10 mil tratores por ano deve ser construída em 2016, afirma Loreto. Além de crescer no mercado do Sul do Brasil, a Mahindra espera atingir outras regiões, como São Paulo e Espírito Santo em 2016. A empresa também planeja produzir tratores maiores.
A italiana Argo Tractors, com a marca Landini, é outra que prevê ampliar suas vendas no Brasil este ano. A empresa começará a produzir no país entre abril e maio deste ano, em Contagem (MG), mas apenas tratores direcionados a testes no campo. A previsão é que no segundo semestre, a Argo comece a produzir tratores para comercialização no Brasil. Serão dois tipos, com cinco potências diferentes, de 115 a 185 cavalos, segundo Ricardo dos Santos Vianna, diretor de operações da Landini no Brasil.
A empresa italiana atua no país desde 2006. No ano passado, vendeu cerca de 80 unidades importadas no mercado brasileiro. A expectativa, para 2015, é comercializar cerca de 250 tratores fabricados no país e mais 80 unidades importadas. A estimativa é chegar nos próximos anos a uma comercialização de 2 mil unidades no Brasil. Uma nova fábrica, maior, deverá ser construída em três a cinco anos, de acordo com Vianna.
Fonte: Valor Econômico
Publicado em 21/01/2015 no Blog do Caminhoneiro.

sábado, 18 de outubro de 2014

Com frota compartilhada, Ambev prevê reduzir despesas em 20%

ambev - caminhao brahma
A Ambev, maior fabricante de cerveja do país, estima reduzir neste ano as despesas com transportes em 20%, em relação a 2013. O programa de compartilhamento de frota – em vez de retornarem vazios para as fábricas, os caminhões são carregados com produtos de parceiros; a cabotagem e a troca de caminhões ajudam nessa economia.
A companhia fechou acordo com a fabricante de condimentos Heinz e a Stora Enso, fabricante de papel, chegando a um total de oito companhias com as quais faz o compartilhamento de frota em 15 Estados. Pablo Vieira, diretor de logística primária da Ambev, disse ao Valor que também negocia acordo com mais três empresas e a previsão é fechar novas parcerias até o fim do ano.
A lista atual das parceiras inclui Unilever, JBS, J. Macêdo, BRF, PepsiCo e Fiat. As empresas Sara Lee, Kraft e L’Oréal, parceiras em 2012, não estão mais no programa, que é bastante dinâmico e pode mudar conforme as necessidades logísticas, informou a Ambev.
A economia de óleo diesel, para a Ambev, no ano está estimada em 6 milhões de litros em função do compartilhamento de frota. Considerando o preço médio do combustível divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), de R$ 2,50 o litro, a economia no ano chega a aproximadamente R$ 15 milhões. A Ambev não divulga qual é o seu consumo total de diesel no ano, nem os gastos da companhia nessa área.
Vieira diz que a redução estimada de 20% de custos com distribuição neste ano deve-se não apenas o compartilhamento de frota com outras indústrias de bens de consumo, mas também uma reorganização da logística da companhia e o aumento da distribuição por meio de sistemas de cabotagem.
“As rotas de distribuição não são fixas. O volume de produção de cada fábrica muda de acordo com a demanda regional e isso traz impacto também na distribuição. A meta é tornar a distribuição cada vez mais inteligente, de modo que o aumento da distribuição não necessariamente exija um número maior de viagens da frota”, disse Vieira.
De acordo com o executivo, em 2011 a Ambev realizou 600 viagens compartilhadas por mês, o que evitou a emissão de 450 toneladas de gás carbônico no ambiente e gerou economia de R$ 4,2 milhões. Atualmente, a companhia realiza 2 mil viagens compartilhadas por mês e tem como previsão reduzir as emissões em 18 mil toneladas de gás carbônico.
De janeiro a julho, a companhia contabilizou uma economia de 1,5 milhão de litros de diesel e redução de 4,6 mil toneladas nas emissões de gás carbônico. Em relação ao ano passado, segundo Vieira, a economia da companhia com diesel está estimada em 5%. Para os próximos três anos, a meta é obter uma redução de 15%.
Além dessa iniciativa, a Ambev renovou sua frota com veículos menos poluentes. Em 2013, a empresa trocou 194 caminhões e, até o fim deste ano, irá substituir mais 249 veículos, o que deve gerar uma queda de aproximadamente 22% na emissão de gás carbônico em relação à frota antiga. A companhia também adota caminhões 100% movidos a gás natural no Rio de Janeiro. A meta é ampliar essa frota para outros locais do país no próximo ano.
No primeiro semestre do ano, a Ambev apresentou um aumento de 17,1% no custo dos produtos vendidos (CPV) no Brasil, devido à mudança no mix de embalagens para distribuição de produtos na Copa e ao aumento da distribuição direta. O aumento desses custos impactou a lucratividade da Ambev, que no semestre teve uma queda de 1,6 ponto percentual na margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, para 46,9%. O lucro líquido cresceu 12,3% no primeiro semestre, para R$ 4,812 bilhões.
Publicado em 17/10/2014 no Blog do Caminhoneiro.