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domingo, 7 de julho de 2013

Estudo avalia transporte urbano durante Copa das Confederações

NTU divulga pesquisa feita nas seis cidades-sede dos jogos, apontando boas práticas e os problemas no transporte urbano.

Fotos: Geilson Lima e Jean-ClaudeEstudo avalia transporte urbano durante Copa das Confederações
Estudo sobre a qualidade da operação dos serviços de transporte urbano durante os jogos da Copa das Confederações foi divulgado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), no Seminário Nacional 2013 - Mobilidade sustentável para um Brasil competitivo, realizado em São Paulo, de 3 a 5 deste mês. Segundo a pesquisa Observatório da Copa das Confederações 2013, das seis cidades onde ocorreram os jogos, apenas três tiveram desempenho classificado como bom (Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Fortaleza). Em Brasília(fotos 1 e 3) e Recife (foto 2), os serviços foram considerados satisfatórios e em Salvador, regular.

A escala de avaliação passava pelas classificações péssimo, regular, satisfatório, bom, ótimo e excelente. A pesquisa da NTU teve como objetivos avaliar o legado das intervenções realizadas para a Copa das Confederações visando à melhoria da mobilidade urbana e identificar as boas práticas que deveriam ser replicadas como forma de preparação para os eventos futuros, especialmente a Copa do Mundo de 2014. Também será elaborado um caderno técnico com os resultados observados, a avaliação de desempenho e as boas práticas adotadas em cada município.

Mesmo com nenhuma cidade-sede tendo alcançado as melhores posições, na avaliação do diretor técnico da NTU, André Dantas, o resultado foi até melhor do que o esperado, pois a expectativa era de que a situação nessas cidades fosse ainda mais complicada nos dias de jogos. Dantas considerou que, apesar das manifestações nas proximidades dos estádios, as cidades conseguiram desempenhar os serviços de transporte. “Demos um importante passo para entender a complexidade de, não somente levar e tirar pessoas dos estádios, mas também de se criar um legado para a cidade, independentemente do dia de jogos.”

De acordo com o diretor técnico da NTU, ficou claro, após a pesquisa, o quanto é necessário dar prioridade ao transporte público porque assim é possível trazer benefícios reais para a sociedade. Também foi evidenciado que o planejamento de transporte para os dias desses grandes eventos deve estar alinhado com um plano estratégico e uma política de mobilidade urbana, para que os resultados sejam mais positivos.

pernambuco05072013.jpgEm Salvador, que teve a pior classificação (regular), a falta de organização e de prioridade ao transporte público prejudicou o desempenho. Conforme o estudo, a inexistência de projetos de grande porte implicou na adoção de inúmeras intervenções operacionais de caráter pontual, voltadas apenas para o dia do evento, não se configurando um legado para a cidade ao término do torneio.  “Houve fechamento de ruas, direcionando o trânsito. Mas o recurso que se investiu não foi permanente. E, para deixar um legado, é necessário criar alternativas que não sejam utilizadas somente nos dias de jogo”, disse Dantas.

No Rio de Janeiro, classificado como bom, as boas práticas constatadas pela NTU foram a utilização do potencial do transporte público convencional e o investimento na criação de uma rede integrada de transporte metropolitano. André Dantas ressaltou que a capital fluminense tem uma tradição maior de utilização do transporte público, especialmente durante grandes eventos em estádios. De qualquer forma, a pesquisa apontou que o maior risco para o legado pós Copa é a dependência do metrô como principal acesso.

Em Belo Horizonte, o potencial de atendimento do serviço especial por ônibus, o não incentivo ao uso do transporte individual e o serviço executivo do aeroporto ao estádio foram medidas que levaram a cidade a obter bom desempenho. Foi apontada também a necessidade de gestão das obras e de se melhorar o sistema de informação ao usuário, para que o transporte público possa ser oferecido com melhor qualidade.

A outra cidade-sede que teve desempenho classificado como bom, Fortaleza, também ofereceu transporte público suficiente para atender à demanda, na avaliação da pesquisa da NTU. O estudo indicou que os serviços especiais de ônibus e a utilização do potencial do transporte público convencional funcionaram bem durante a Copa das Confederações. Mas o principal risco para o legado são os atrasos na entrega dos corredores de ônibus.

brasilia3_05072013.jpgEm Brasília, com desempenho satisfatório, o esquema especial possibilitou acesso eficiente ao Estádio Nacional Mané Garrincha. O estudo da NTU considerou que a expansão do serviço executivo, o sistema de informação e o esquema operacional dos ônibus especiais foram pontos positivos da cidade. Os riscos para o legado da Copa na capital federal são a indefinição e a falta de planejamento. “Mesmo obras de baixa complexidade, como ciclovias, não foram concluídas”, aponta o estudo.

Em Recife, também com desempenho satisfatório, as mudanças no esquema operacional permitiram o atendimento ao público que assistiu o jogo na capital pernambucana. Foram constatados como problemas a elevada oferta de estacionamento para transporte individual e o risco de não conscientizar a população sobre a importância da utilização do transporte público. Como fator positivo, o diretor técnico da NTU ressaltou a capacidade de adaptação, de corrigir os problemas e implantar melhorias. Nos próximos meses, haverá uma publicação com todo o estudo Observatório da Copa das Confederações 2013.


Confira abaixo a lista com as principais conclusões:
- A alta capacidade de transporte de demanda e a capilaridade do transporte público por ônibus mostraram-se eficientes, mesmo em situações de organização de operações especiais;

- É urgente a melhoria da gestão e controle dos cronogramas das obras de mobilidade urbana previstas para as cidades-sede;

- A ineficiência dos sistemas de informação aos usuários, embora se configure um problema, pode ser uma oportunidade de investimento para os operadores privados;

- Há necessidade do amadurecimento da operacionalização em rede integrada pelos diversos modos de transporte público;

- A melhoria da oferta do transporte público por ônibus poderá contribuir para a implantação de sistemas de mobilidade urbana mais eficientes para a Copa do Mundo de 2014.


De São Paulo (SP), Cynthia Castro
Publicado em 05/07/2013 no Site Agência CNT de Notícias.

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