Palestra para Motoristas

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domingo, 23 de junho de 2013

Novo Híbrido BR com carroceria Caio roda em setembro


ônibus
O anseio da sociedade se tornou um grito que ecoou nas ruas em todo o País. A população quer não apenas tarifas baixas, mas transporte melhor, o que passa por responsabilidade dos empresários, engajamento do poder público e aperfeiçoamentos da indústria. A mobilidade limpa é um dos grandes desejos em cidades que querem deixar de ser espaços para carros. Foto: Adamo Bazani.
A INDÚSTRIA DE ÔNIBUS E OS CLAMORES QUE HOJE ECOAM NAS RUAS
Até 2014, Mercedes/Eletra acreditam que 400 híbridos de nova geração estejam operando no País. Chassis de motores dianteiros com suspensão automática serão tendência no mercado, acredita fabricante
ADAMO BAZANI – CBN
A sociedade brasileira está se mobilizando. Tirando os lamentáveis atos de vandalismo que não são de responsabilidade de quem vai às ruas verdadeiramente com um ideal, as mais recentes manifestações mostram que a população quer mais qualidade de vida, quer mais justiça e condições melhores no seu dia a dia.
E os transportes coletivos foram o primeiro grito da garganta da população, que depois começou a exigir mais justiça social, combate à corrupção, menos hipocrisia política, menos impunidade e menos preconceito.
Os transportes foram o ponto inicial (sem nenhum trocadilho) das manifestações porque representam o setor que está presente na vida de todos no dia a dia. Do passageiro, de quem anda de carro e sabe que quanto mais transporte coletivo tiver, também será beneficiado com menos trânsito e poluição, do frotista, que precisa de rentabilidade, do poder público que sabe que além de ser uma obrigação oferecer transporte de qualidade, o setor é o que mais influencia na imagem política e da economia: o transporte público poupa dinheiro das cidades, movimenta trabalhadores, incentiva o comércio, entre outros benefícios.
Por trás dos gritos por tarifas mais baixas, a população quer transporte de qualidade. Quer que as tarifas façam valer a pena.
Ao poder público, cabe investir de fato em mobilidade urbana. E isso não significa fazer um corredor de ônibus aqui e outro ali ou uma linha insuficiente de metrô. É assumir uma opção. Ou o transporte coletivo ganha prioridade no espaço público ou as cidades continuam gastando todos seus recursos para manter uma política defasada baseada no transporte individual. O que as montadoras de carros trazem de lucro para o País é muito menos que o trânsito e a poluição traz de prejuízo.
Às empresas, cabem se modernizar. Visar o lucro sim, afinal, sem lucro não dar para investir, crescer, melhorar. Mas o lucro com responsabilidade, enxergando que seu serviço não se limita a uma concessão e só porque está concedido então está garantido. Não! Hoje é diferente. O usuário não é um passageiro apenas. É um cliente. E como tal, tem de ser conquistado. Diferentemente do que ocorria até nos anos de 1990, hoje os transportes públicos têm sim concorrência. Comprar um carro ou uma moto hoje é possível para muita gente. E muita gente tem partido para o transporte individual porque o sistema público ainda não atende com a qualidade que a população não só tem direito, mas merece.
À indústria, cabe estar atenta a todos os movimentos que ocorrem na sociedade e no setor de mobilidade. Essa atenção têm objetivo financeiro e de mercado? Claro, e qual o problema disso? Mas ao desenvolver ônibus mais modernos, limpos e confortáveis, a indústria cumpre um papel social.
Um dos clamores hoje da sociedade não é só mobilidade, mas mobilidade com sustentabilidade. Ou seja, um transporte que não agrida o meio ambiente.
E os ônibus considerados de tecnologia limpa serão tendência no mercado e nas pautas de investimentos públicos, privados e nas expectativas da população.
Exemplos de desenvolvimento industrial neste sentido não faltam.
Nesta última quinta-feira, dia 29 de junho de 2013, a Mercedes e a Eletra anunciaram em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que o novo Híbrido BR, ônibus movido a diesel e eletricidade ao mesmo tempo, deve começar a circular em setembro no Corredor ABD, que liga o bairro de São Mateus, na zona Leste de São Paulo, ao bairro de Jabaquara, na Zona Sul da Capital Paulista, pelas cidades de Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, com extensão de 33 quilômetros (30 quilômetros de vias exclusivas), e o prolongamento entre a cidade de Diadema, no ABC Paulista, e a região do Morumbi, também na zona Sul de São Paulo, com trajeto de aproximadamente 12 quilômetros. Os serviços são operados pela Metra – Sistema Metropolitano de Transporte concessionária do corredor desde 1997.
O Híbrido BR é fruto de uma parceria entre a Eletra, empresa do grupo da Metra (família Setti & Braga), e a fabricante Mercedes Benz.
Há um veículo Híbrido BR conceito que circula no Corredor ABD e em outras cidades como demonstração.
Mas o ônibus “novo para valer” , que vai receber carroceria Caio, traz mais aperfeiçoamentos que o veículo em demonstração.
É o que explica a gerente comercial da Eletra, Ieda Maria Oliveira.
“O ônibus possui um sistema de baterias feitas pela Moura que consegue armazenar e aproveitar melhor a energia. Não há desperdício do que é gerado pelo motor diesel e pelo sistema de frenagem regenerativa (quando o sistema armazena a energia que não é usada nos momentos de menos esforço do ônibus). A economia operacional é maior. Além disso, o motor diesel já é de tecnologia Euro V, que reduz ainda mais as emissões de poluição” – disse a especialista.
A forma de tração escolhida é a de série ou seriada. Por ela, o motor diesel opera apenas para gerar energia para o elétrico, diferentemente da tecnologia paralela, pela qual, o motor elétrico é responsável pela partida do ônibus, pela movimentação até 20 km/h e opera quando o ônibus está parado em pontos ou semáforos. A partir desta velocidade, no caso da tecnologia paralela, entra em operação para movimentar o ônibus, o motor diesel.
De acordo com a Eletra, com o sistema seriado, a maior eficiência energética das baterias e com o motor diesel Euro V, é possível reduzir em cerca de 95% a emissão local de materiais particulados em 20% o consumo do diesel.
Por ser apenas um motor gerador, o propulsor elétrico no “novo” híbrido BR é “menor” que o usado nos ônibus convencionais, o que também explica o consumo e as emissões de poluição em menores escalas.
Por ser Euro V, o motor a combustão tem de ser abastecido com diesel S 50 , (que possuem menor teor de enxofre), Biodiesel B 20 (mistura de 20% de biocombustível) e o diesel feito a base de cana de açúcar, que não se trata de etanol.
“Vemos um grande mercado para este tipo de ônibus que emite menos poluição. Até 2014, 2015, pretendemos comercializar cerca de 400 unidades do modelo, o que é bastante significativo por ser um ônibus diferenciado. Essa parceria com a Eletra é fundamental. Com ela, foi possível desenvolver um ônibus 100% nacional. Como a Eletra é uma empresa do grupo da Metra, uma operadora, trazemos para a indústria a experiência do que ocorre no dia a dia das ruas” – contou Walter Barbosa, diretor de venda e marketing de ônibus da Mercedes Benz.
A Metra pertence a família Setti & Braga, que há mais de cem anos opera transportes na região do ABC Paulista, desde quando a ligação entre São Bernardo do Campo e Santo André (na época a região era toda denominada São Bernardo da Borda do Campo) era feita por veículos puxados a cavalos. Além de empreendimentos em ramos como de construção, fast food, jazigos e assistência funeral, a família possui empresas de ônibus como Publix, Auto Viação ABC, SBCTrans, entre outras.
“O chassi do Híbrido BR fornecido pela Mercedes-Benz é o modelo O 500 U “low entry” (entrada baixa), para carroçarias até 12 metros de comprimento e com 18 toneladas de peso bruto total – PBT. Seu motor OM 924 LA de 4 cilindros oferece uma potência de 136 kW a 2.200 rpm, com torque de 700 Nm entre 1.200 e 1.600 rpm” – de acordo com nota da Mercedes Benz
O chassi possui eixos da marca Mercedes Benz e suspensão é pneumática integral.
Está nos planos da Mercedes Benz, juntamente com a Eletra, fornecer ônibus híbridos articulados.
“Por causa da demanda maior de passageiros em vários eixos de deslocamento das cidades, são necessários veículos de grande porte. E vamos oferecer uma solução de transporte limpo para ônibus de grande capacidade”, disse Curt Axthelm de Produto Ônibus da Mercedes Benz do Brasil.
Mas o híbrido não significa o rompimento da produção de trólebus, ônibus elétricos que andam conectados às redes aéreas. Os primeiros trólebus no Brasil foram encomendados em 1947 e começaram em 1949, fazendo a linha Praça João Mendes – Aclimação, pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, empresa que foi um marco na história dos transportes de toda a América Latina.
Mas das primeiras unidades de trólebus do Brasil, importadas dos Estados Unidos e Inglaterra, passando pelo primeiro trólebus nacional, fabricado pela Grassi e pela Villares, em 1958, pelo Sistran de 1977, que foi um plano da CMTC para aumentar a rede e que resultou numa nova geração de trólebus, até hoje, muita coisa mudou, como garante a gerente comercial da Eletra, Ieda Maria de Oliveira.
“Hoje os trólebus possuem sistemas que auxiliam nas mudanças das redes nos trajetos, alavancas pneumáticas que diminuem as possibilidades de queda e sistemas de frenagem regenerativa e baterias armazenadoras que dão autonomia ao trólebus da rede elétrica aérea. A principal crítica que se faz os trólebus são as quedas de energia. Hoje os modelos que desenvolvemos têm baterias que podem fazer com que os ônibus possam percorrer entre sete e 11 quilômetros independentemente de estarem conectados aos fios. Isso é mais que o suficiente para que o trólebus não fique parado na via e para chegar à outra estação alimentadora de energia que esteja sem problemas ou mesmo para ser recolhido para a garagem, terminal ou área de recuo” – disse Ieda.
Além disso, com o trólebus que podem operar por alguns quilômetros sem a dependência da rede aérea, as manobras e serviços de manutenção dentro das garagens ficam mais fáceis. As garagens de trólebus futuramente não vão precisar ter tantos fios e postes.
A Metra adquiriu 20 trólebus articulados de 18 metros com estas características. O chassi é da Mercedes Benz, O 500 U – de piso baixo, com carroceria Caio, modelo Millennium BRT. Parte destas unidades já está em operação no Corredor ABD, além de outros trólebus e ônibus híbridos.
ÔNIBUS MELHORES PARA UM VIÁRIO QUE AINDA NÃO É O IDEAL:
O Brasil é um país cheio de contrastes. A frase parece um chavão, mas é uma verdade.
Diferenças sociais, diferenças urbanísticas, diferenças de cultura estão cada vez mais próximas.
Hoje, até mesmo na Capital Paulista, a cidade mais rica do País, não é raro uma avenida com boas condições estar a poucos metros de ruas com asfalto precário ou até mesmo de terra.
Assim, o desenvolvimento de ônibus com tecnologia limpa, de piso baixo, para sistemas modernos de corredores do tipo BRT – Bus Rapid Transt é essencial para que o País não fique estagnado ainda mais na questão de mobilidade urbana.
Mas a indústria de ônibus tem de encarar a realidade de que muitas vias não oferecem a menor estrutura para este tipo de veículos.
No entanto, a indústria, se quer permanecer e crescer, não deve pensar em fazer máquinas de metal para servir só as exigências dos empresários. Quem sustenta toda esta cadeia de empresários de viações e consequentemente a indústria são os milhões de trabalhadores e estudantes que já lotam os ônibus nas primeiras horas do dia, muito antes do sol nascer, e que voltando de um segundo emprego ou curso, lotam os ônibus que fazem as últimas viagens do dia.
Esse povo está se despertando cada vez mais e merece um transporte melhor.
Para economizar e ter maior lucratividade e para enfrentar vias nem sempre favoráveis para o tráfego, os empresários de ônibus usam os chamados OFs – ônibus de motor dianteiro.
É inegável que um ônibus de motor traseiro ou central é mais confortável que um veículo com motor frontal. Mas é inegável também que, pela falta de estrutura no País e até mesmo pela cultura de investimento do empresário de ônibus do Brasil, os OFs ainda terão muito tempo pela frente (o frente também não foi um troicadilho).
Então, por que não deixar o OF melhor para o passageiro, motorista e cobrador?
A solução encontrada pela Mercedes Benz é oferecer suspensão pneumática neste tipo de ônibus.
E os modelos da marca disponíveis nesta configuração são o OF 1721L/59 e OF 1724L/59.
O que muda entre um e outro é a potência.
Já são cerca de 500 unidades vendidas para Belo Horizonte.
Os ônibus de motor dianteiro representam cerca de 70% do mercado do setor.
O gerente de vendas e marketing de ônibus da Mercedes Benz, Walter Barbosa, diz que os ônibus de motor dianteiro com maior conforto têm nas linhas alimentadoras de corredores de BRT uma grande expectativa de mercado.
“Esse tipo de veículo tem sido cada vez mais requisitado para sistemas integrados de transporte, especialmente nas cidades que vêm implantando soluções de mobilidade urbana, como, por exemplo, o BRT (Bus Rapid Transit)”
A suspensão pneumática nos ônibus de motor dianteiro é “formada por bolsões de ar (2 na dianteira e 4 na traseira) e batentes auxiliares, válvulas niveladoras de altura (1 na dianteira e 2 na traseira), amortecedores telescópicos de dupla ação e barras estabilizadoras” – conforme nota da fabricante.
As suspensões pneumáticas são do tipo das usadas nos ônibus urbanos e rodoviários de motor traseiro da Mercedes Benz da família de produtos O 500, portanto, conhecidas das áreas de manutenção das empresas de ônibus e de inspeções dos órgãos gerenciadores.
Quanto ao modelo OF 1724, a Mercedes garante que pela potência maior, é possível o uso de ar condicionado nos veículos e do sistema auxiliar dos freios, de retarder eletromagnético.
Outra aposta da Mercedes Benz é o modelo OH1621 L, com motor traseiro, também seguindo as normas do Proncove – Programa de Controle de Poluição por Veículos Automotores P 7, do Conama – Conselho Nacional do Meio Ambiente, que têm como base o conjunto de exigências internacionais Euro V para reduzir a emissão de poluentes.
O OH 1621L é um modelo de porte médio para suportar PBT – Peso Bruto Total de até 16 toneladas e carrocerias de 11,8 metros.
Além de serviços urbanos, com o OF 1721, OF 1724 e OH 1621L, a Mercedes Benz enfoca o setor de fretamento, que deve crescer com os investimentos gerados por eventos internacionais e com as perspectivas do setor de turismo no Brasil.
Após o ano de 2012 ter sido considerado fraco para o setor de ônibus no Brasil, com quedas motivadas pelo fraco desempenho econômico brasileiro e pela mudança de tecnologia de redução de poluição, que deixou os ônibus mais caros e os conservadores empresários com muitas dúvidas, o mercado se recupera neste ano e as perspectivas até 2016 são favoráveis, se não houver um desajuste econômico brasileiro ou internacional.
As empresas que atrasaram as renovações de frotas por causa da mudança de tecnologia vão precisar comprar ônibus novos, as que anteciparam as renovações para 2011, antes da entrada do Euro V, vão demorar um pouco mais, porém vão ter de comprar de novo e agora já operando com fluidos redutores de emissões, como o ARLA 32 (Agente Redutor Líquido Automotivo), e o diesel com menor teor de enxofre. Além disso, não há como negar. Os investimentos em mobilidade urbana entraram nas agendas das esferas federal, estadual e municipal depois de o País ter sido escolhido para ser sede da Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.
Todo mundo já sabia. De maneira geral, com as exceções é claro, os transportes urbanos no Brasil são ruins. Falta prioridade aos ônibus, corredores exclusivos, maior engajamento por parte das empresas transportadoras e do poder público.
Mas enquanto “só” o povo brasileiro se dava mal nesta história, muito se discursava e pouco se fazia.
Quando os transportes no Brasil ameaçaram virar vergonha internacional, até o Governo Federal, que era omisso na questão da mobilidade urbana, arregaçou as mangas.
Hoje são criados sistemas de BRT que vão demandar ônibus novos e com maior valor agregado.
Mas como cidades são integradas e pelo fato de o País ter despertado para o fato de que o transporte individual priorizado causa mais prejuízos que lucros, os investimentos em transportes públicos extrapolaram as cidades-sede dos jogos onde se apresentarão os milionários jogadores de futebol.
Assim, com mais investimentos em mobilidade, mesmo que insuficientes ainda, criou-se um importante mercado não só para ônibus novos, mas ônibus melhores.
As licitações de sistemas municipais, intermunicipais e interestaduais também vão exigir mais ônibus novos.
Então é hora de arregaçar as mangas e ir a campo oferecer os produtos para os empresários.
A Mercedes realiza uma demonstração em todo o País com 16 modelos que recebem diversas marcas de carrocerias: três rodoviários (O 500 R, RS e RSD), o articulado O 500 MA, os superarticulados O 500 MDA e UDA “low entry”, chassis OF 1519, dois OF 1721, dois OF 1724 e dois modelos para fretamento (OF 1724 com suspensão metálica e O 500 M).
A Mercedes diz que oferece modelos de ônibus para transportar cada um entre 19 e 200 passageiros.
Os principais modelos são:
Micro-ônibus
LO 916/45
LO 916/48
Escolar e de tráfego especial
OF 1519 R
Urbanos motores dianteiros
OF 1219/44
OF 1519/52
OF 1721/59
OF 1724/59
Urbanos motores traseiros:
OH 1519/42
OH 1621L/52
O 500 M 1826/59
O 500 U 1826/59
O 500 MA / 2836
O 500 UA / 2836
O500 UDA / 3736
O 500 MDA 3736
Ônibus Rodoviários / Fretamento:
OF 1519/52
OF 1721/59
OF 1724/59
OH 1519/52
OH 1621L/52
O 500 M 1826/30
O 500 R 1830
O 500 RS 1836
O 500 RSD 2436
O 500 RSDD 2736
O 500 RSD 2741
O 500 RSDD 2741
Publicado em 23/06/2013 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus.

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