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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Mobilidade Urbana: Estudo mostra iniciativas de 15 cidades



ônibus

Ônibus em São Paulo. Estudo internacional mostra que as cidades do futuro investem em transportes públicos. São Paulo foi destacada pelos esforços para ter ônibus menos poluentes. Foto: Adamo Bazani.
Estudo revela ações de cidades em diversas partes do mundo em prol da mobilidade
Pesquisa reuniu pareceres de especialistas, técnicos, poder público e empresas de transportes. Levantamento foi feito numa parceria entre a Universidade Técnica de Munique e a fabricante de ônibus e caminhões MAN
ADAMO BAZANI – CBN
“O que as cidades querem” O título do estudo realizado em 15 cidades de diversas regiões do planeta pela Universidade Técnica de Munique, na Alemanha, é hoje a pergunta principal de autoridades, dos diversos setores da economia e do cidadão comum. Para o poder público, o trânsito é um desafio. Para os setores econômicos, o trânsito é prejuízo e para a população, o trânsito é perda de tempo e qualidade de vida.
Fato é que por mais que ainda uma camada da população mundial ainda não queira abrir mão do conforto de andar de carro, para que se tornem um ambiente agradável e onde os cidadãos possam ir e vir com rapidez, mais segurança e conforto, os municípios devem deixar de ser espaços destinados para veículos para serem áreas projetadas para as pessoas.
E a melhor forma para isso, é investir nos transportes públicos e em espaços maiores para pedestres e cilcistas. Ônibus, trens e metrôs poupam espaço urbano, já que podem substituir dezenas de carros. Esse espaço poupado pelo transporte público deve ser destinado às pessoas.
Algo que foi reduzido em várias cidades foram os espaços para convivência entre os cidadãos. Isso porque, praças, parques, áreas de lazer, tiveram de ser retirados para a construção de avenidas que, a cada ano, se tornam obsoletas, pelo fato de não comportarem o número de veículos particulares que cresce constantemente.
Várias cidades querem reverter ou pelo menos minimizar esse quadro.
O estudo, da Universidade Técnica de Munique, teve parceria da MAN, fabricante mundial de ônibus e caminhões.
Foram levantadas as estratégias para o combate ao trânsito e poluição e para a melhoria do uso do espaço urbano em 15 cidades: de São Paulo, Ahmedabad, Beirute, Bogotá, Copenhague, Johannesburgo, Istambul, Londres, Los Angeles, Lyon, Melbourne, Munique, São Petersburgo, Xangai e Singapura.
Consideradas “Metrópoles do Futuro”, cada uma com sua particularidade, todas têm em comum a busca pelo investimento ao transporte público.
Bogotá, se destaca desde 2002 com o sistema de corredores de ônibus Transmilênio. Com poucos recursos para ampliação metroferroviária e com pouco espaço disponível para obras como de metrô, os corredores de ônibus foram soluções que deram conta do recado.
Outras cidades conciliaram investimentos em trilhos com sistemas de ônibus de grande porte, como Lyon, na França, que tem uma rede de VLTs – Veículos Leves Sobre Trilhos conjugada com BRT – Bus Rapid Transit, corredores de ônibus modernos de alta capacidade.
COMUNICAÇÃO E ACESSO ÀS INFORMAÇÕES:
Um dos resultados do estudo mostra que as pessoas não querem apenas redes de transportes. Elas querem também planejar suas viagens e poder antecipadamente escolher o seu melhor caminho. Para isso, sistemas de informações sobre transportes são essenciais. O cidadão, revela o levantamento, quer chegar às estações de ônibus e metrô e encontrar as informações sobre as linhas e a previsão de quanto o próximo veículo de transporte coletivo vai chegar ao local de espera.
Nota sobre o estudo diz:
“A expansão do transporte público é a mais alta prioridade. Isso inclui mais linhas de transporte público que funcionem com maior frequência, além de um serviço mais confiável. Dessa forma, as cidades estão respondendo às demandas dos cidadãos: para eles, a qualidade do transporte público é tão importante quanto à duração da viagem no momento de escolher um meio de transporte.
Por esse motivo, as cidades não estão investindo apenas nas infraestruturas de transporte público, mas também – e cada vez mais – em sistemas de informações e de comunicação fáceis de usar.
Planos de mobilidade integrada, transporte combinado, metas ambientais ambiciosas e direito de passagem para sistemas alternativos: o estudo fornece informações sobre várias soluções inovadoras e contém uma visão geral das diversas estratégias de mobilidade sustentável nas cidades”.
SÃO PAULO TEVE CRESCIMENTO IMPROVISADO:
O histórico da cidade mostra que São Paulo teve um crescimento improvisado e desorganizado. Segundo o levantamento, faltou planejamento para a cidade e os poucos planos estruturais deixaram de fora o transporte coletivo. Mas a situação pode se reverter. O estudo destaca os esforços para deixar a frota de ônibus na cidade menos poluente, conforme a nota:
“São Paulo não é apenas a maior cidade do Brasil – é a maior cidade de toda a América do Sul. A cidade propriamente dita tem 11 milhões de habitantes em uma área de 1.523 quilômetros quadrados. A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) cobre mais de 8.000 quilômetros quadrados e tem cerca de 20 milhões de habitantes. Por isso, ela está entre as dez maiores regiões metropolitanas do mundo. Com o segundo maior produto interno bruto do Brasil e um dos cinco maiores da América Latina, a cidade é uma potência econômica, além de ser o principal centro industrial do país. Entre 1940 e 1980, sua população praticamente dobrou, passando de 4,7 para 8,5 milhões. Em função desse rápido crescimento, a infraestrutura de transporte foi improvisada de maneira generalizada e o desenvolvimento urbano ficou marcado pela expansão urbana indiscriminada.
Atualmente, a rede rodoviária tem um comprimento total de 17.000 quilômetros. Vinte e nove por cento de todas as viagens são feitas em carros particulares e 39% por meio do transporte público local. Apenas sete anos atrás, era o contrário. Enormes investimentos na infraestrutura de transporte público resultaram nessa mudança de ênfase.
O sistema de transporte público da cidade atende mais de 16 milhões de pessoas todos os dias. E tendo em vista o alto consumo de energia – o setor de transportes é uma das principais fontes de emissões de gases de efeito estufa – noventa por cento dos poluentes do ar são atribuídos ao trânsito. A Secretaria Municipal de Transporte (SMT) leva esses problemas muito a sério, por isso espera que um Plano de Controle da Poluição Veicular possa produzir melhorias, como reduzir em até 10% ônibus que utilizam combustíveis fósseis no transporte público.”
Apesar deste esforço, uma das cobranças para que os ônibus sejam menos poluentes, são quanto aos investimentos em redes de trólebus.
Os ônibus totalmente elétricos ainda são soluções em diversas partes do mundo. A rede de trólebus em São Paulo foi reduzida drasticamente a partir de 2003, hoje atendendo apenas a zona Leste e o centro de São Paulo, com cerca de 200 veículos. A cidade chegou a ter mais de 500.
Com as inovações tecnológicas, inclusive da indústria nacional, há trólebus que podem percorrer entre cinco e dez quilômetros independentemente da rede aérea, se houver problemas no fornecimento.
Em corredores exclusivos, com vias em melhor estado, a queda das alavancas dos trólebus é minimizada. Exemplo é o Corredor ABD, onde os trólebus seguem em boa parte do trajeto de forma separada do trânsito comum, sobre pavimento de concreto e não em asfalto comum, que não pouco suporta o peso dos ônibus.
A manutenção da rede aérea e do sistema de fornecimento também é essencial para que o trólebus seja eficiente. A redução da poluição, que implica menos custos com saúde pública, a economia no uso de combustível fóssil e a vida útil do ônibus elétrico que é de duas a três vezes maior que do ônibus convencional podem justificar os investimentos em mais serviços de trólebus.
MUNDO SERÁ URBANO:
As necessidades para que os espaços urbanos sejam locais de convivência, com privilégio às pessoas e não aos carros são reforçadas pelas estimativas das ONU.
“Segundo as Nações Unidas, a população urbana aumentará 85% até 2050, chegando a 6,3 bilhões de pessoas. Mais de dois terços da humanidade viverá em cidades”
Isto significa dizer que os espaços nas cidades serão cada vez mais disputados. Sendo assim, estes espaços devem ser melhor aproveitados.
Uma pessoa num carro ocupa 10 metros quadrados da via pública. Com conforto, o passageiro de um ônibus, sentado, ocupa 0,75 metro quadrado. A lotação máxima considerada aceitável no transporte público leva em consideração de quatro a seis pessoas em pé por metro quadrado.
Publicado em 14/05/2013 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus.

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