Palestra para Motoristas

Palestra para Motoristas
Arquivo: HighPluss Treinamentos, 2017.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

População quer manutenção de subsídios, diz pesquisa



onibus
Pesquisa revela que 86,3% de entrevistados querem que o Governador do Paraná, Beto Richa, mantenha os subsídios para a continuação das integrações e de outros benefícios para os passageiros. A diferença entre a tarifa cobrada do usuário e a tarifa que representa os custos reais do sistema deve aumentar, o que pode elevar o déficit da Urbs que pode chegar a R$ 110,4 milhões em um ano.
Pesquisa mostra que 86% de entrevistados querem manutenção de subsídios para transportes em Curitiba e municípios vizinhos
Custo do transporte deve chegar a R$ 2,99. Se não houver reajuste de tarifa e manutenção das complementações de recursos, déficit da Urbs pode ser de R$ 9,2 milhões por mês
ADAMO BAZANI – CBN
Com o reajuste do óleo diesel nas refinas de 5,4% (valor menor para o consumidor final) e dos salários de motoristas e cobradores de ônibus de Curitiba e Região Metropolitana, que deve ser em torno de 6% de acordo com o INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor, o custo dos transportes na capital paranaense e cidades da região metropolitana deve ser de R$ 2,99 por passageiro.
A projeção não leva em conta as elevações de outros itens principais da cesta que forma as tarifas, como óleos lubrificantes, pneus, peças e aquisições de novos veículos.
No final do ano passado, o Setransp – Sindicato das Empresas de Transporte Urbano e Metropolitano de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana/Paraná havia apresentado um estudo encomendando à Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da Universidade de São Paulo – USP, que apontava que a tarifa ideal para custear o sistema seria de R$ 3,10.
A Urbs – Urbanização de Curitiba S.A., empresa que gerencia os serviços de ônibus na capital e nos municípios que formam a RIT – Rede Integrada de Transportes , espera uma posição do governador Beto Richa sobre a manutenção dos subsídios ao sistema de transportes para evitar aumentos muito grandes das passagens de ônibus e para continuar com as integrações entre os ônibus de Curitiba e da Região Metropolitana.
Richa ainda não sinalizou sobre a manutenção das complementações de receita.
Além da Urbs aguardar um posicionamento do governador do Paraná, o prefeito de Curitiba, Gustavo Freut, e a própria população cobram de Richa a continuidade dos subsídios.
É o que revela um levantamento realizado pelo Instituto Paraná de Pesquisas, que ouviu 430 pessoas na capital Curitiba entre os dias 23 e 25 de janeiro para saber a percepção dos passageiros em relação aos custos dos transportes.
Os dados mostram que 86,3% dos entrevistados querem que o governo do Estado mantenha os subsídios para equilibrar as contas do sistema de transportes e continuar com as integrações e outras ações de benefícios aos passageiros.
Para 60% dos entrevistados, a atual tarifa de R$ 2,60 é alta.
A pesquisa mostra que 73% das pessoas achariam a tarifa elevada se ela fosse para R$ 2,90.
Mas o que os entrevistados acham caro, é realmente o custo por passageiro transportado, de acordo com a Urbs.
Hoje a tarifa técnica, que mostra o custo real das passagens é de R$ 2,89. A diferença entre os R$ 2,60 da tarifa dos passageiros e a tarifa técnica é bancada por subsídios.
Sem eles, o valor deve ser maior ainda nas catracas.
O último reajuste no valor das tarifas de ônibus para os passageiros foi em março do ano passado, quando passou de R$ 2,50 para R$ 2,60. Foi a única elevação da tarifa, como previam os reajustes anuais.
Mas os custos do sistema continuaram a aumentar e a tarifa técnica, que representa estes gastos, subiu três vezes no mesmo período, ou seja, de março até agora.
Em março, a tarifa técnica era de R$ 2,78 , em agosto foi para R$ 2,87 por determinação da Justiça e no fim do ano, subiu mais uma vez, para R$ 2,89.
Essas diferenças constantes entre o que é arrecadado nas catracas e o que realmente custa transportar os passageiros fizeram com que os rombos da Urbs só aumentassem. Em março, data do último reajuste, a média mensal do déficit era de R$ 4,5 milhões.
Em dezembro, a média deste prejuízo subiu para R$ 6,8 milhões.
Agora com a estimativa de uma tarifa técnica na ordem de R$ 2,99, o rombo pode chegar a R$ 9,2 milhões na média mensal e acumular um período de um ano em R$ 110,4 milhões.
Por este motivos, os especialistas apontam para a necessidade da manutenção dos subsídios. Para que o sistema se torne economicamente viável e ao mesmo tempo não onere demasiadamente o bolso do passageiro.
Em entrevista ao jornal “Gazeta do Povo”, do Paraná, o professor do Centro de Pesquisa e Pós Graduação em Administração da UFPR – Universidade Federal do Paraná, Ramiro Gonçalez, quem se locomove de carro deve ajudar a subsidiar o transporte coletivo.
“Você tem de sinalizar que o usuário do transporte coletivo tem prioridade. Uma maneira é criar algum mecanismo que subsidie o transporte, via imposto ou um combustível mais caro”
Já o ex-diretor de Planejamento e Engenharia da Urbs, João Carlos Cascaes, defende um plano diretor para os transportes, com redução de custos. Ele diz que a taxa de administração deve ser zerada, algo complexo pelo fato de a Urbs ser uma empresa de economia mista.
A criação de uma frota pública operada por empresas particulares também é defendida por João Carlos Cascaes.
“Isso de ficar dependendo do governador, de subsídio, é ruim. O ideal é ter soluções próprias”, afirma.
E é isso que a Urbs e as empresas de ônibus tentam para minimizar os rombos, mas ainda há necessidade do posicionamento de alguns órgãos governamentais.
Ainda não houve retorno sobre o andamento do projeto do Governo do Estado a respeito da possibilidade de redução do ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços sobre o óleo diesel usado nas frotas de ônibus urbanos de Curitiba e Região Metropolitana.
As companhias de ônibus aguardam os efeitos da lei federal de setembro do ano passado que reduziu a alíquota sobre a folha de pagamentos em diversos setores, inclusive o de transportes coletivos.
Além disso, a Urbs e as viações esperam uma receita extra com a veiculação de publicidade nos ônibus pelo sistema de monitores de TV que passam programação para os passageiros nos veículos. Até o final de março, pelo menos 120 ônibus biarticulados devem ter os aparelhos de TV, além de dois terminais.
A decisão da manutenção dos subsídios está nas mãos de Beto Richa, que luta para que as contas do Governo do Estado não fechem no vermelho.
Publicado em 13/02/2013 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

Nenhum comentário:

Postar um comentário