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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Transportes e bens de capital beneficiados com medidas de incentivo à indústria

    
marcopolo
Ônibus produzido pela Marcopolo. Na opinião de especialistas, empresa será uma das mais beneficiadas com pacote de estímulo à indústria anunciado pelo Governo Federal. Além da desoneração tributária sobre a folha de pagamentos, medidas vão reduzir custos de aquisição de financiamentos, o que pode “trazer de volta” compradores de ônibus. Foto: Adamo Bazani.
Transportes e Máquinas são os maiores beneficiados com pacote de ajuda à indústria
Opinião é de especialistas de mercado. Marcopolo e WEG são exemplos de empresas que mais devem ganhar com medidas do Governo Federal
IG – ECONOMIA

Marcopolo, Randon, WEG, Romi e Ioschpe devem ser as empresas mais beneficiadas pelo pacote de estímulos à indústria anunciado pelo governo na última terça-feira, dizem os analistas Luis Vallarino e Maria Jose Dominguez Gonzalez Luna, do Citi, em relatório.
Ainda que as medidas anunciadas envolvam 15 setores e tenham como objetivo beneficiar toda a indústria, eles acreditam que essas empresas de transportes e bens de capital devem ganhar mais com a redução do custo de capital para financiar seus clientes e seus projetos, além de serem favorecidas pela desoneração da folhas de pagamento e pela redução de tributos.
Os dois destaques, na visão dos analistas, são Iochpe e pela Marcopolo. “A primeira por causa da contínua integração de suas recentes aquisições nos preços das ações, e a última devido aos múltiplos ângulos segundo os quais o pacote poderia beneficiá-la”, afirma o relatório.
Entre as medidas anunciadas pelo governo estão ajustes cambiais, corte de impostos, redução dos gastos públicos, a extensão do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) do BNDES e incentivos estruturais de longo prazo. Além de avaliar cada uma delas pontualmente, o Citi levou em conta também em seu estudo a relação das receitas e da geração de caixa (Ebitda) das companhias com a taxa de juros de longo prazo (TJLP). Considerada pelos analistas como parâmetro do custo real de financiamento na economia, a TJLP tende a cair com o novo pacote de governo.
Além disso, os analistas destacam que a isenção de contribuição previdenciária, que também faz parte do pacote, significaria recursos adicionais para essas companhias a partir de junho, quando as medidas surtirão efeito. O relatório estima os ganhos decorrentes disso em R$ 50 milhões por ano para empresas de médio porte e de até R$ 100 milhões, para as maiores.
O efeito do pacote no bolso dos clientes das empresas apontadas pelo Citi também tendem a favorecê-las. A Marcopolo, por exemplo, se beneficiaria da redução do custo de financiamento para os compradores de ônibus, que segundo o relatório, tendem a voltar às compras. O mesmo pode ser replicado para as outras companhias, cujos clientes devem ter maior facilidade em conseguir capital mais barato.
Já a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), segundo o Citi, deve ser positiva na margem, mas não massivamente. “Muitas dessas empresas já operavam com taxas de impostos de produção industrial baixas ou próximas do zero”, explicam os economistas.
Romi: “2012 melhor que 2011”
A Romi, umas das líderes brasileiras na fabricação de bens de capital, reconhece os benefícios. Em entrevista ao iG, o diretor presidente da empresa, Livaldo Aguiar Santos, afirma que suas expectativas de que 2012 será um ano melhor que 2011 foram renovadas com o pacote de medidas de incentivo a indústria divulgada pelo governo federal.
“Antes dele acreditávamos que o processo de desindustrialização no Brasil caminhava a passos largos”, diz Santos. “Agora as perspectivas são outras”.
Por conta da desaceleração da indústria no ano passado, a Romi, que tem como clientes principais as empresas manufatureiras, viu sua receita cair 6,3% e o lucro líquido despencar 93,7%. “Nós só vendemos para quem produz, e com as empresas brasileiras produzindo menos, nós vendemos menos”, dizem Santos, lembrando que só o segmento de peças viu o volume de importações crescer 16% em relação a 2010.
Apesar de acreditar que as medidas foram pontuais e ainda não contemplam mudanças estruturais, Santos acredita que a desoneração da folha de pagamento e a redução do custo do empréstimo para a indústria vão reaquecer o mercado. “O custo do dinheiro é muito importante e, mesmo com as reduções, não podemos esquecer que enquanto se capta a 5,5% aqui, na Alemanha, por exemplo, se contrai crédito para a produção a 2% ao ano”.
Após um ano de queda acentuada na lucratividade, a Romi tem como objetivo em 2012 recompor suas margens de lucro, duramente afetadas pela crise do ano passado. “Nosso objetivo é aumentar a lucratividade, mais do que aumentar nossa receita”, diz o executivo.
Ainda há riscos
Apesar de serem as mais beneficiadas pelo pacote, Marcopolo, a Randon, WEG, Romi e Iochpe não terão todos os seus problemas resolvidos, ponderam os analistas do Citi. Eles afirmam que alguns aspectos ainda configuram riscos para as companhias.
Entre eles estão uma eventual piora na disponibilidade de crédito ou um aumento da taxa de juros no Brasil, que poderiam afetar os custos de financiamento e as vendas para os clientes de todas as empresas. Além disso, aumentos inesperados nos preços de matérias-primas, como aço, também podem afetar as lucratividades das companhias de transportes e bens de capital.
No caso da Iochpe-Maxion e da Marcopolo, o Citi destaca que as empresas podem sofrer se o efeito da eliminação planejada de programas especificamente direcionados à indústria de transporte demorar mais que o previsto. O mesmo vale para a Marcopolo.
Para a Weg, o risco está nas aquisições que a companhia fez em mercados desconhecidos, onde não tem vantagens competitivas, segundo o Citi. Entretanto, se o os privilégios do novo governo reduzirem o peso da energia dentro de seus gastos com infraestrutura, comentam no relatório, a companhia consegue melhoras suas perspectivas.
A Randon, por sua vez, seria afetada por uma eventual desaceleração ou um enfraquecimento do mercado automobilístico.

Texto / Reportagem: Danielle Brant, Olívia Alonso e Yan Boechat
Publicado em 06/04/2012 no site Blogpontodeonibus.

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