Palestra para Motoristas

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domingo, 26 de fevereiro de 2012

Novas normas para ônibus urbanos no Rio beneficiam passageiros



Na semana passada ao retornar de Copacabana para Jacarepaguá, quando é necessário fazer uso de duas linhas de ônibus, tive oportunidade finalmente de usar um veículo de uma das linhas provenientes do Centro com destino ao Barrashopping, desses de piso baixo que estão dentro das novas normas para a circulação de ônibus urbanos no RJ. Em verdade os ônibus do novo modelo ("Neobus") são o que existe de mais moderno no que tange ao design dos coletivos urbanos no país. Isso nos lembra dos anos 70 quando os ônibus de janela grande e lâmpada fluorescente causaram um grande furor entre os usuários.

A parte frontal externa destes novos coletivos que são integrantes dos sistemas BRS implantados no centro e zona sul é bem parecida com os carros que comporão o sistema BRT dos novos corredores de transporte (Transoeste e outros). É muito confortável ao usuário como pude sentir, poder fazer um tranquilo embarque sem ter que subir aquela série de incômodos degraus, geralmente dois e às vezes três. Essa nova estrutura torna bastante viável o embarque de pessoas idosas, crianças ou pessoas que tenham dificuldades de articulação na movimentação de joelhos e pernas. O mais fantástico é que facilita sobremaneira a entrada de cadeirantes que para entrar ou sair do mesmo não precisam da operação de nenhum elevador, bastando apenas ao motorista, cobrador ou qualquer pessoa levantar e abrir uma pequena rampa que liga o ônibus até a calçada. Assim o embarque ou desembarque de quem usa cadeira de rodas tornou-se possível no sistema de coletivos da cidade. Hoje, os elevadores existentes na metade da frota não funcionam ou não sabem ser operados por motorista ou cobrador que não recebe instruções da empresa para tal. O novo ônibus é composto internamente de duas seções com alturas de piso distintas.

A primeira na parte frontal do ônibus inicia junto ao motorista e segue até a metade do carro, na direção da porta de saída. Nesta, a altura interna do piso ao teto é maior do que a dos outros coletivos. Isso facilita a entrada de pessoas muito altas que nos coletivos normais são obrigados por vezes a dobrar a cabeça por ficar a mesma próxima ao teto (alguns turistas europeus com alta estatura passam por esse problema nos ônibus do Rio). Essa seção ocupa a maior parte do carro e em seu final fica o local destinado aos cadeirantes onde nitidamente dá se percebe que podem ser transportados dois a cada viagem.

A área de janelas inicial, maior do que as dos outros veículos promovem uma melhor ventilação. Já a segunda seção interna, onde o piso é mais alto, não é recomendada a viagem de pessoas idosas ou que possuam dificuldades em se manter de pé durante as viagens. Há pelo menos duas mudanças de nível de degraus da metade até o final do carro e o banco final (aquele múltiplo no final dos ônibus) fica em um nível mais alto do que os outros do carro. Uma placa luminosa no teto sinaliza a mudança de nível interno ("cuidado degraus") e isso é muito positivo.

O sistema de acionamento da campainha foi modernizado não existe o costumeiro cordão para puxar e sim campainhas de verdade por toda a parte alta do veículo. O passageiro quando aperta uma destas é ouvida em todo o coletivo uma voz feminina suave e bem definida de que "a parada foi solicitada" e placas com essa afirmação acendem-se e são se apagam quando o veículo parte do ponto onde parou e as portas se fecham. As portas de saída se abrem para fora do veículo, não ocupando assim espaço onde seriam originariamente localizadas as escadas (que nesse caso não existem).

O motorista parece estar em uma espécie de "trono" com uma pequena "cerca móvel" que o separa dos passageiros e o deixa a frente de um painel futurista um pouco mais alto do que uma pick-up. O mesmo conforto é sentido pelo cobrador que desta feita, fica do lado certo para receber os passageiros (a esquerda de quem entra). As empresas, linhas e modelos dos atuais coletivos infelizmente ainda não chegaram a uma conclusão e volta e meia dependendo da linha em que se embarque o cobrador fica a direita, por vezes a esquerda e assim dificulta o dia a dia do passageiro. O motor não faz barulho quase nenhum ou se o produz o nível e por várias vezes mais baixo do que o gerado nos demais coletivos. Neste veículo também não são sentidos solavancos e a "maciez" com que os carros circulam é admirável. Além do mais proporciona com que a velocidade de circulação possa ser maior porque é mais segura. Uma versão mais antiga (modelo anterior), porém muito bonita, já circula há pelo menos dois anos nas ruas em São Paulo.

A avaliação final como passageiro sobre o novo ônibus foi positiva e espera-se que muito breve essa versão constitua a maior parte dos ônibus em circulação no Rio. Infelizmente como já comentamos antes, a existência do exagerado número de quebra-molas nas estradas de Guaratiba e regiões de Santa Cruz e Campo Grande, será um entrave para adoção desse confortável modelo, pois há quebra-molas que chegam à altura de um degrau médio de escada.

Texto: Ronaldo Andrade Inácio
Foto: Divulgação

Publicado em 25/02/2012 no site http://www.portalguaratiba.com.br

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