Palestra para Motoristas

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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Cinco alternativas para a Mobilidade Urbana


Adamo Bazani
Ônibus na Região Metropolitana de Curitiba. Sistema de corredores de ônibus não isolados, mas formando uma rede, como ocorre no Paraná, é uma das principais soluções com custos racionais e de rápida implantação para a mobilidade urbana. Além do transporte público, bicicletas, tecnologia de gestão de tráfego, novos modelos de veículos e até as redes sociais podem ajudar o ir e vir das pessoas. Foto: Adamo Bazani
Corredor de ônibus é uma das tendências para a melhoria da mobilidade urbana
Curitiba é considerada exemplo por conta da RIT – Rede Integrada de Transporte, que possui corredores de ônibus, estações para embarque e desembarque e ônibus interligados. Bicicleta, redes sociais e tecnologia também são tendências
ADAMO BAZANI – CBN

Os problemas de mobilidade e poluição nas cidades já são bem conhecidos de toda a população que sente na pele, nos nervos e nos pulmões os transtornos de vias sobrecarregadas de carros (a maioria só com os motoristas), a falta de paciência na disputa do especo urbano e um ar carregado, pesado, um clima quente, abafado, mas não só pelo calor, mas pela fumaça dos veículos.
Mas como reverter esta situação ou se não for possível reverter, como evitar que ela se agrave?
Mecanismos e soluções existem e devem ter implementação em conjunto.
O espaço urbano deve ser melhor ocupado, de forma racional, sem retirar o conforto da maioria em detrimento de uma minoria, mas que usa mais este raro espaço, como tem ocorrido atualmente.
Quem usa um carro de passeio ocupa sozinho mais de cinco metros de vias e ganha mais privilégios nas políticas públicas do que quem divide uma área de 12 metros de comprimento com outras 79 pessoas.
Estas distorções têm de ser revistas
O Portal Administradores traz uma grande matéria sobre mobilidade urbana e elege cinco tendências para soluções nas cidades.
A primeira delas é a ampliação da rede de corredores de ônibus. O corredor de ônibus não é para competir ou substituir o metrô, missão que não seria possível. Mas ele serve para interligar as cidades, atender demandas pontuais, nem sempre necessariamente pequenas, havendo a necessidade não de apenas corredores isolados. O que as cidades precisam é de uma rede de transportes e os corredores de ônibus devem ser pensados em forma de rede também. Como exemplo bem sucedido, os especialistas citam a RIT – Rede Integrada de Transporte de Curitiba e Região Metropolitana. Corredores de ônibus, terminais, estações tubo (que protegem os passageiros da chuva e do sol forte e oferecem acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida) e mesmo as linhas que não andam apenas nos corredores são interligados. Com o valor de uma passagem, é possível percorrer vários municípios e usar a quantidade de ônibus que for necessário por tempo indeterminado.
O Portal, no entanto, mostra que o transporte público é essencial e a principal mas não a única medida para melhorar os deslocamentos nas cidades.
Criação de estrutura para a circulação de bicicletas, uso de veículos alternativos, de tecnologias de monitoramento e gestão de tráfego e até de redes sociais para deixar as áreas urbanas um pouco melhores para se viver são algumas das ações a serem tomadas em conjunto.
Em Mauá, São Paulo, e Macaé, Rio de Janeiro, por exemplo, um sistema nos semáforos denominado Contreal calcula em tempo real o volume de veículos e auxilia a fluidez dos veículos. Isso evita a morosidade nas vias que recebem mais veículos, que muitas vezes possuíam semáforos que davam preferência a outras avenidas ou ruas com menor movimento. E no decorrer do dia, a aglomeração de veículos muda de vias, por isso a necessidade de sistemas inteligentes que apresentem soluções na hora.
Em Barcelona, na Espanha, um sistema denominado Bicing permite o aluguel de bicicletas com o uso de cartões pré-pagos. O cidadão compra um cartão com os créditos, vai até o ponto onde ficam as bicicletas e retiram o veículo, devolvendo, depois de o tempo previsto no posto mais próximo. A bicicleta ainda não é vista como um potencial meio de transporte cotidiano. Ela não serve apenas para diversão. Mas as pessoas temem usá-la justamente pela falta de espaços adequados. Na disputa com os veículos motorizados, o ciclista quase sempre perde.
Confira a matéria completa abaixo:
5 tendências em mobilidade urbana para os próximos anos
Saiba quais são os modelos de engenharia urbana, social e de veículos que oferecem alternativas viáveis à situação brasileira; até as redes sociais e dispositivos móveis podem ser útei
Os próximos três anos serão decisivos para a melhoria – ou não – do panorama da mobilidade no Brasil. Com dois megaeventos esportivos batendo à porta – a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016 – ações por melhorias no se tornam ainda mais urgentes. Esse tipo de acontecimento atrai espectadores de todo o mundo e aumenta ainda mais o número de pessoas na zona urbana o que, para um sistema de tráfego despreparado, pode acarretar em um grande aumento nos congestionamentos.
Tudo o que o Governo Federal não deseja é um colapso nos sistemas de transporte. Tanto é que a Lei de Mobilidade Urbana, sancionada no dia 4 de janeiro após 17 anos em debate, prevê maiores responsabilidades para as prefeituras e exige um planejamento sólido em um prazo curto: três anos.
Sancionar a Lei foi a parte fácil. Complicado vai ser pesar a mão sobre as mais de 1600 cidades brasileiras com mais de 20 mil habitantes que agora estão obrigadas a se comprometer com o planejamento. Basicamente, o texto da Lei de Mobilidade Urbana elegeu o uso do transporte coletivo e a redução da emissão de poluentes como os desafios que podem mudar o panorama caótico que se afigura hoje.
Por outro lado, existe outro gargalo que precisa ser superado: a visão negativa da população sobre os transportes públicos – que encontra um forte respaldo na realidade. De acordo com uma pesquisa do Ipea divulgada em janeiro, 41% da população classificaram os transportes coletivos como ruins, enquanto apenas 30% consideravam bons. Para ajudar a cumprir os objetivos da Lei Nacional de Mobilidade Urbana, pelo menos cinco tendências podem – e devem – ser levadas em conta.
1. O caso Curitiba
A cidade paranaense é uma referência mundial por conta de seu sistema de transportes urbano – que reflete um projeto planejado e bem executado no setor público brasileiro. Há aproximadamente 30 anos foi criada a Rede Integrada de Transporte, um planejamento completo de transporte urbano que consistia em corredores para ônibus favorecendo viagens rápidas, estações de tubo localizadas em pontos estratégicos para o embarque de passageiros (que atualmente está mais eficiente com acesso facilitado para pessoas com necessidades físicas especiais), rotas otimizadas e estímulo a tarifas relativamente baixas.
Jaime Lerner, arquiteto e ex-prefeito, um dos responsáveis pela RIT, lembrou – durante a HSM Expomanagement 2011 – o que todo prefeito deveria saber ao assumir a posição: “planejamento de cidades toma tempo, mas nós temos que fazer. E aí, quando vamos vendo resultados importantes com ações simples e pontuais, nos motivamos a continuar o trabalho”. É evidente que cada cidade tem as suas particularidades, mas o modelo curitibano – que também precisa de ajustes – deve servir de inspiração para o planejamento urbano dos municípios.
2. Aplicativos móveis e redes sociais
A tecnologia dos smartphones e tablets, bem como as redes sociais, podem ser uma aliada bem conveniente para os usuários de transportes urbanos e da malha rodoviária. Entre janeiro e novembro de 2011, o volume de aparelhos conectados à internet aumentou 115%, atingindo 8,27 milhões de unidades comercializadas – segundo dados da consultoria GfK.
“Já se observa em algumas cidades a troca de informações sobre acidentes, obras, desvios e outros problemas de trânsito pelas redes sociais. Esta é uma tendência que deverá se ampliar nos próximos anos, não apenas no que diz respeito ao tráfego de automóveis, mas também para o transporte coletivo”, explica Romeu Bosse, gerente Comercial da Brascontrol – empresa do segmento de controle de tráfego.
Todavia, essa permuta de informações pode servir para o benefício de motoristas criminosos. “Avisar sobre blitz, por exemplo, é um ato contra a coletividade e atende ao interesse dos infratores. Essa atitude é um boicote a ação policial e mostra solidariedade com práticas criminosas como beber e dirigir. Você avisaria sobre operação da polícia contra os traficantes em uma favela no Rio de Janeiro?”, questiona Maria Amélia Marques Franco, especialista em Gestão de Trânsito e Mobilidade Urbana pela PUC-PR.
3. Novos conceitos de veículos urbanos
Mesmo com o incentivo ao uso do transporte público e implantação de rodízios nas metrópoles, quem tem um veículo próprio não costuma abrir mão do carro. Mas muitos motoristas, enquanto consumidores, consideram a redução da emissão de poluentes como um diferencial para o veículo. Com isso, o mercado deverá oferecer cada vez mais modelos menores, mais fluidos e elétricos.
Um exemplo de carro-conceito que está por desembarcar no mercado é o Geely McCar, que foi exposto no Salão do Automóvel de Xangai no ano passado. O veículo, alimentado por energia elétrica, vem acompanhado de uma pequena scooter no porta-malas. O carro tem uma autonomia de 150 quilômetros, enquanto o pequeno triciclo roda até 30 quilômetros quando totalmente carregado. Ainda não há previsão de lançamento, e a empresa – que adquiriu a marca Volvo em 2010 – não tem sucursal brasileira. Mas como os mercados emergente são ideais para modelos assim, o Geely McCar não deve demorar para desembarcar por aqui.
Já a General Motors apresentou um modelo bem mais ousado no design. O EN-V, ou carro-bolha – também movido a eletricidade – foi desenvolvido para minimizar o risco de colisões no trânsito. Pequeno, o veículo não dispõe de volante nem do aparato de segurança convencional, incluindo airbags e para-choque. Segundo o especialista do departamento de pesquisa e desenvolvimento da GM, Tom Brown, o EN-V foi desenvolvido para ser mais parecido com uma aeronave, de forma a evitar batidas.
4. Bicicletas como alternativa de transporte público
Elas são os meios de transporte sustentáveis por natureza. Não emitem poluentes, não afetam o trânsito e custam 30 vezes menos do que um carro. Em várias cidades muita gente decide encostar o carro durante alguns dias da semana para ir ao trabalho ou à escola de bicicleta com um custo baixo e o benefício imensurável do bem-estar físico. Várias cidades decidiram implementar um sistema de aluguel de bicicletas em determinados pontos da cidade, bem como investir na construção de ciclovias.
Em Barcelona, o sistema Bicing foi implementado há aproximadamente cinco anos, quando a cidade não dava a mínima para a bicicleta enquanto meio de transporte. Depois de pouco tempo, o sistema passou a ser considerado parte inextricável do transporte público metropolitano. O funcionamento é simples: o cidadão pode adquirir um cartão para o aluguel das bicicletas; depois é só passar em um ponto onde os veículos ficam estacionados, passar o cartão em uma leitora digital e… voilà: uma bike já está disponível para uso, e pode ser devolvida em qualquer outra estação onde existam vagas.
Várias cidades brasileiras já utilizam sistemas parecidos, não apenas metrópoles, mas também cidades de pequeno e médio portes. Existem pelo menos três desafios para que o modelo caia nas graças da população: o primeiro é integrar as bicicletas ao sistema de transporte urbano; o segundo é disponibilizar um bom número de bicicletas e estações em localidades estratégicas da cidade; e o terceiro é desburocratizar o sistema de aluguel.
5. Tecnologias de ponta
Empresas e universidades também realizam pesquisas e desenvolvem projetos por soluções na mobilidade urbana . Um exemplo é o Contreal, sistema de controle de tráfego de tempo real, que vem sendo desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina em parceria com a Brascontrol desde o ano 2000. De acordo com o especialista Romeu Bosse, a ferramenta possibilita que os semáforos sejam interligados entre si e conectados a laços indutores embutidos no piso das ruas e avenidas. O sistema controla o fluxo de veículos das vias e a “taxa de ocupação” (quanto maior o congestionamento, maior a taxa de ocupação) por meio dos laços.
O Contreal analisa informações de todas as avenidas monitoradas e determina qual a melhor programação para cada semáforo, com o intuito de facilitar o fluxo de veículos.. A ferramenta já foi implantada nas cidades de Macaé (RJ) e Mauá (SP) e possibilitou a redução do tempo de viagem nos dois municípios entre 20 e 30% e também do tempo de espera nos semáforos.

Texto Inicial: Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
Texto do Portal Administradores: Eber Freitas, Fábio Bandeira, Mayara Emmily e Simão Mairins

Publicado em 29/02/2012 no site Blogpontodeonibus.

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