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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

ÔNIBUS FAZ CURITIBA SER CONSIDERADA A ÚNICA CIDADE  BRASILEIRA SER CONSIDERADA RESPONSÁVEL, SUSTENTÁVEL

Ônibus em Curitiba fez com que a cidade fosse a única brasileira a aparecer no ranking dos lugares que tiveram o crescimento mais responsável e que respeitou o meio ambiente e os recursos públicos. Isso porque, ao elaborar os corredores exclusivos para ônibus há exatos 37 anos, Curitiba pensou em uma cidade para pessoas e não para veículos, mostrando os ganhos ambientais do transporte público e que os ônibus são formas de garantir mobilidade, respeito ao meio ambiente e lugares mais agradáveis sem esbanjarem grandes quantias de dinheiro atendendo o mesmo número de pessoas que outras soluções, segundo um dos maiores especialistas em sustentabilidade do mundo, empresário Boyd Cohen (que juntamente com um dos papas da sustentabilidade, Hunter Lovins, escreveu o livro “Climate Capitalism”) . Adamo Bazani - CBN

Transportes colocam Curitiba como uma das cidades mais sustentáveis do mundo
Levantamento de Revista Especializada levou em consideração os corredores de ônibus implantados na cidade há 37 anos, a única brasileira a aparecer no ranking mundial
ADAMO BAZANI - CBN
Os transportes coletivos são apontados por especialistas em urbanismo não apenas como soluções para o trânsito, mas também para os problemas de poluição e para o aumento da qualidade de vida.
Isso porque, o transporte público de qualidade, como metrô desde que não seja superlotado e corredores de ônibus bem planejados, estimulam as pessoas a deixarem os carros em casa. Com menos veículos, menores são os congestionamentos, melhor é a ocupação do espaço urbano e mais rápidos são os deslocamentos, sobrando mais tempo para viver de fato: estudar, passar mais com a família, ter atividades culturais ou simplesmente descansar.
A publicação canadense Corporate Knights, especializada em sustentabilidade coorporativa, trouxe uma artigo sobre as 10 cidades mais resilientes do planeta.
As informações foram disponibilizadas ao Brasil pela Revista Época.
Cidade resiliente é aquela que se empenha em retornar o equilíbrio ecológico e ambiental após passar por processo de urbanização e que, durante este processo, já pensou no bem estar das pessoas e na diminuição dos impactos negativos ao meio ambiente.
O artigo foi de responsabilidade do especialista e empresário Boyd Cohen (que juntamente com um dos papas da sustentabilidade, Hunter Lovins, escreveu o livro “Climate Capitalism”) .
Ele levou em consideração os projetos e ações de crescimento urbano que privilegiam o bem estar coletivo e os efeitos positivos em relação ao meio ambiente , que foram desenvolvidos por governos locais há cerca de 40 anos.
A ÚNICA cidade brasileira que aparece no ranking de município que cresceu com responsabilidade é Curitiba.
E, de acordo com Boyd Cohen, o principal motivo para isso foi o plano de desenvolvimento urbano que deu ênfase a corredores de ônibus expressos, do tipo BRT (Bus Rapid Transit), criados pela primeira vez no mundo com estas concepções há exatos 37 anos, pelo então prefeito de Curitiba, Jaime Lerner.
O especialista em sustentabilidade apontou os corredores de ônibus como soluções adequadas para o desenvolvimento que respeite a natureza e garante a qualidade de vida das pessoas, não apenas como alternativa de 37 anos atrás, mas atual e que deveria ser ampliada em países com a realidade brasileira, cuja necessidade de desenvolver as cidades utilizando recursos da população de maneira responsável é ainda maior.
Boyd Cohen levou em consideração o número de pessoas que podem ser beneficiadas por u sistema de BRT em relação aos baixos custos e rapidez de implantação, o que não significa menos qualidade de transportes.
No entanto, o estudioso lembra que o sistema de BRT de Curitiba precisa passar por atualizações, já que mesmo biarticulados, alguns ônibus trafegam superlotados.
Além disso, com o aumento do trânsito na cidade, os Ligeirinhos, que param em poucos ponto, acabam ficando em congestionamento e perdendo a velocidade de operação.
A proposta é que o serviço de Ligeirinhos também use corredores exclusivos.
O especialista para fazer a lista levou em consideração as cidades com mais de 600 mil habitantes e se atentou para os seguintes aspectos: comprometimento político, densidade populacional, trânsito, uso de fontes de energia renováveis, emissões de gás carbônico, redução de efeitos climáticos, planos de adaptação e extensão territorial de parques.
A Revista Época trouxe a relação feita pelo especialista, um dos mais respeitados do mundo. Reproduzimos aqui neste espaço:
1 – Copenhague, Dinamarca - 40% dos cidadãos vão para o trabalho de bicicleta. Foi a única cidade a obter a pontuação máxima no quesito “comprometimento político”. Juntamente com Curitiba, é a cidade com a menor emissão de CO² per capita.
2 – Curitiba, Brasil - Pensou num desenvolvimento voltado para as pessoas e não para veículos. e como solução que traz bons impactos ambientais, mas sem gastos extravagantes, adotou o ônibus. Também foi considerado também o plano de prevenção contra enchentes implementado na cidade na década de 70, por meio da criação de parques ao longo dos rios e canais do município.
3 – Barcelona, Espanha – Um percentual pequeno de energia renovável abastece a cidade, mas chama a atenção seu empenho em difundir o uso de energia solar. A administração municipal estabeleceu que todas as novas residências ou reformas devem incluir algum sistema de aquecimento solar – geralmente, para a água.
4 – Estocolmo, Suécia – A cidade se destacou pelo comprometimento político e pela quantidade de áreas verdes, mas ficou atrás de Paris quando avaliada a extensão da rede de transporte por trilhos per capita. Sua meta de redução de gases de efeito estufa é a segunda mais drástica.
5 – Vancouver, Canadá - A cidade teve a maior pontuação dentre todas as cidades norte-americanas. Assim como São Francisco, a São Francisco pretende reduzir suas emissões em 80% até 2050, em relação a 1990. Noventa por cento da energia da cidade provém de fonte renovável e há investimentos para que ela tenha seu próprio sistema distrital de energia.
6 – Paris, França - Além de ser signatária de uma série de pactos internacionais, Paris também obteve a maior pontuação na categoria “extensão de transporte por trilhos por habitante”. É uma das poucas cidades do estudo que tem um projeto de adaptação em curso: mais de 100 mil árvores foram plantadas e outras 20 mil recobrem os telhados da cidade.
7 – São Francisco, Estados Unidos – No ranking de Cohen, a cidade mantém a posição número 1 no país. Ocomprometimento político e a meta agressiva de, como Vancouver, reduzir em 80% suas emissões até 2050 (1990 como referência), angariaram pontos para a cidade. Ações para expandir o uso de energia solar também contaram.
8 – Nova York, Estados Unidos - O prefeito da cidade, Michael Bloomberg, tem sido um bom advogado da causa de tornar a cidade mais sustentável. Extensão da rede de transporte por trilhos (metrô) e das áreas de parques colocaram a metrópole entre as dez mais resilientes.
9 – Londres, Inglaterra- Uma série de medidas de adaptação na cidade fizeram com que ela fosse incluída na lista. A criação da “zona de congestionamento” na cidade, que diminuiu o trânsito de carros e aumentou o de transporte público e a implementação da segunda maior barreira móvel contra enchentes do mundo foram medidas valorizadas pelo especialista.
10 – Tokio, Japão - A única cidade asiática do ranking tem no seu plano de ação contra mudanças climáticas um de seus pontos fortes. Precisa investir mais em energias renováveis e áreas públicas verdes. Por outro lado, o forte apoio à iniciativa privada para a inovação em tecnologias limpas e mitigação de problemas relacionados ao clima a fez merecer estar no ranking.

Publicado em 23/09/2011 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes.
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