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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Dia Mundial sem Carro: Paulistano quer ônibus, Sim Senhor!

As pessoas querem ônibus e corredores. Os entrevistados da pesquisa de mobilidade feita pelo Ibope a pedido da ONG Rede Nossa São Paulo declararam que deixariam o carro em casa pelo transporte público, pois não suportam mais o trânsito. O número saltou de 52% para 60%. No caso específico de corredores de ônibus, a quantidade de pessoas que declararam que largariam o carro se houvesse um corredor por perto subiu de 12% para 29% . Mas como os transportes não recebem a prioridade que merecem, as pessoas continuam usando o carro. O número de quem se desloca por meio individual todos os dias subiu de 15% para 23%. 

Mais pessoas querem deixar o carro em casa
Número de paulistanos que optariam pelo transporte público saltou de 52% para 60% em um ano, de acordo com pesquisa da ONG Nossa São Paulo
ADAMO BAZANI – CBN

Trânsito, poluição e deslocamentos mais demorados. A dura realidade das grandes cidades tem piorado à medida que mais carros são colocados nas ruas num ritmo maior que a expansão da oferta de transporte público.
No entanto, se o transporte coletivo fosse priorizado e conseqüentemente mais rápido e confortável, em espaços exclusivos, essa realidade poderia começar a se reverter.
Isso porque, já saturadas, as pessoas agora estão aptas a deixarem o carro em casa.
É o que revela pesquisa do Ibope, encomendada pela ONG (Organização Não Governamental) Rede Nossa São Paulo sobre mobilidade.
Em relação ao ano passado, o número de paulistanos entrevistados que declararam estar dispostos a deixar o carro em casa e usa o transporte público subiu de 52% (2010) pata 60% (2011).
No entanto, pelo fato de os transportes públicos ainda não receberem os investimentos que merecem e também pelas estratégias de mercado e incentivos à indústria automobilística, o número de pessoas que disseram ter um ou mais carro subiu de 52% para 62%.
O dado importante, de acordo com a ONG é que os carros, mesmo sendo objeto de desejo dos brasileiros, não vem satisfazendo os cidadãos. Pois mesmo aumentando o número de proprietários de veículos particulares, também cresceu a quantidade de pessoas que querem usar o transporte público. Entre estas pessoas também estão os “novos proprietários” de carro.
Em evento na Câmara Municipal de São Paulo, o coordenador – geral da ONG, Oded Grajew, afirmou que o paulistano hoje desperdiça um mês de sua vida por ano só em congestionamentos.
“Se fizermos a conta, o cidadão fica um mês por ano no congestionamento. Ele quer trocar, mas quer uma opção confiável, que tenha qualidade. Ou usar o transporte coletivo ou a bicicleta, mas ele não encontra essa opção e fica nesse dilema. Isso tem um impacto muito negativo para a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico da cidade. O trânsito é considerado o segundo problema mais grave da cidade depois da saúde”, relatou.
Grajew afirmou que a cidade precisa da expansão de todas as formas de transportes públicos, mas que os corredores de ônibus, como os BRTs (Bus Rapid Transit) devem ser priorizados. Isso porque oferecem qualidade de atendimento, acessibilidade e conforto, como os modais ferroviários, agilizam as viagens e atendem às necessidades de melhoria dos transportes de forma urgente, já que são mais rápidos e baratos de serem implantados.

CORREDORES DE ÔNIBUS ATRAEM O PÚBLICO – AS PESSOAS QUEREM ÔNIBUS

A pesquisa revelou que os corredores de ônibus têm capacidade sim de atrair quem se locomove por transporte individual.
De maneira geral, o número de pessoas que deixaria o carro em casa pelo transporte público subiu de 52% para 60%.
Mas quando a questão foi específica em dizer se as pessoas deixariam o carro se o transporte público melhorasse, o número subiu de 76% para 82%,
Quando as pessoas foram questionadas somente sobre corredores de ônibus, subiu de 12% em 2010 para 29% em 2011, a quantidade de cidadãos que declararam que deixariam os carros nas garagens se perto de suas casas ou trabalho houvesse um corredor de ônibus.
O mais impressionante, segundo a pesquisa, é que em 2010, 21 % das pessoas declararam que não trocariam o carro pelo ônibus em hipótese nenhuma. Neste ano, NIGUÉM DECLAROU ISSO. Ou seja, os cidadãos estão conscientes de que ônibus é uma das principais soluções para o trânsito nas cidades.
OS NÚMEROS DA ATUAL REALIDADE:
Enquanto os transportes públicos não são ampliados, os números da pesquisa revelam a dura realidade de cidades como São Paulo:
• - Os ônibus estão mais demorados: 47% dos entrevistados neste ano ante 34% em 2010 disseram que esperam mais tempo pelos ônibus nos pontos. O principal motivo é que o trânsito tem piorado e os ônibus, tendo poucas pistas exclusivas, ficam presos nos congestionamentos e demoram para passar.
• - O tempo médio gasto no trânsito em São Paulo subiu de 2h42 em 2010 para 2h49 minutos neste ano. E um dado alarmante: 19% dos entrevistados disseram que perdem mais de 04 horas por dia no trânsito.
• - Isso reflete na sensação em relação ao trânsito de São Paulo: 55% neste ano o consideram péssimo enquanto em 2010 esse número era de 37%
• - E essa piora tem uma razão de ser: mais pessoas estão comprando carro. Em 2010 foram 28% dos entrevistados que compraram um automóvel nos 12 meses antes da pesquisa. Neste ano, 38% adquiram um automóvel.
• - O número de pessoas que usa carro todos os dias em São Paulo subiu de 15% para 23%.
• - A quantidade de pessoas que andam a pé na cidade de São Paulo caiu de 45% para 35%, o que mostra a necessidade de políticas públicas que levem em consideração que a marcha a pé também é forma de mobilidade e não apenas a motorizada.
• - A necessidade de mais ciclovias é explícita quando a pesquisa revela que o trânsito está tão ruim que as pessoas trocaram o carro pela bicicleta: Eram 18% dos entrevistados no ano passado contra 48% em 2011.
Foram entrevistados 805 paulistanos, com idade a partir de 16 anos, entre 17 e 22 de agosto.

Publicado em 22/09/2011 por Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes. Blogpontodeonibus

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